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Fígado
Um dos mais importantes órgãos internos é o fígado.
É a mais volumosa de todas as vísceras, pesa cerca de 1,5 kg no homem
adulto. Está situado no lado direito, no quadrante superior da
cavidade abdominal, protegido pelas costelas.
Tem cor vermelho-amarronzada, é friável e frágil, possuindo uma
superfície lisa, recoberta por uma cápsula própria.

O fígado se divide em duas partes (lobos). O lobo direito é seis
vezes maior que o esquerdo. O órgão é totalmente recoberto pelo
peritônio e é irrigado pela artéria hepática, recebendo sangue
venoso do baço e intestinos pela veia porta.
Abaixo do lobo direito
situa-se a vesícula biliar, uma bolsa de 9 cm, aproximadamente, que
tem a capacidade de coletar cerca de 50 ml de bile produzida pelo
fígado.
O fígado, junto com o baço e a medula óssea são os órgãos
responsáveis pela hematopoese, formação e desenvolvimento das
células sanguíneas. São também denominados órgãos hematopoiéticos.
Ele participa do processo de digestão, armazena vitaminas, anula o
efeito de drogas, estoca energia, produz compostos necessários à
coagulação do sangue - apenas para citar alguns de seus trabalhos
mais conhecidos. É de se imaginar que um órgão assim tão importante
deva ser extremamente complexo, de difícil tratamento. E ele é, de
fato. O fígado ainda representa um intrincado desafio para a
medicina. Tanto que ainda não existe remédio capaz de reavivar as
funções de um fígado que já entrou em falência. Uma vez mortas, as
células hepáticas não se
recuperam. Contudo, se é difícil curar um fígado doente, a incrível
versatilidade de um fígado saudável tem dado esperança de vida a
milhares de pessoas em todo o mundo.
Ele é um dos órgãos mais propícios ao transplante, causando menos
rejeição do que outros já rotineiramente transplantados, como
coração ou rins. Outra característica peculiar desse órgão é sua
capacidade de continuar funcionando mesmo quando é cortado ao meio:
o fígado é capaz de se regenerar, voltando ao tamanho normal. Assim,
um mesmo órgão pode ser usado para salvar a vida de duas pessoas. Ou
um simples pedaço do fígado de uma pessoa saudável pode salvar a
vida de outra. Por isso, é na área dos transplantes que os
hepatologistas têm obtido as maiores conquistas.
Tecido hepático
É possível perder cerca de 75% deste tecido, por doença ou
intervenção cirúrgica, sem que ele pare de funcionar.
O tecido
hepático é constituído por formações diminutas que recebem o nome de
lobos, compostos por colunas de células hepáticas (hepatócitos),
rodeadas por canais diminutos (canalículos), pelos quais passa a
bílis segregada pelos hepatócitos.
Estes canais se unem para formar
o ducto hepático que, junto com o ducto procedente da vesícula
biliar, forma o ducto comum da bílis, que descarrega seu conteúdo no
duodeno.
As células hepáticas ajudam o sangue a assimilar as substâncias
nutritivas e a excretar as matérias residuais e as toxinas, bem
como esteróides, estrógenos e outros hormônios.
Funções do fígado
● Secretar a bile, líquido que atua no emulsionamento das gorduras
ingeridas, facilitando, assim, a ação da lipase.
● Remover moléculas de glicose no sangue, reunindo-as quimicamente
para formar glicogênio, que é armazenado. Nos momentos de
necessidade, o glicogênio é reconvertido em moléculas de glicose,
que são relançadas na circulação.
● Armazenar ferro, cobre e vitaminas em suas células.
● Sintetizar diversas proteínas presentes no sangue, de
fatores imunológicos e de coagulação e de substâncias
transportadoras de oxigênio e gorduras.
● Produzir carboidratos a partir de lipídios ou de proteínas,
e lipídios a partir de carboidratos ou de proteínas.
● Degradar álcool e outras substâncias tóxicas, auxiliando na
desintoxicação do organismo.
● Destruir hemácias (glóbulos vermelhos) velhas ou anormais,
transformando sua hemoglobina em bilirrubina, o pigmento
castanho-esverdeado presente na bile.
● Sintetizar o colesterol e purificar muitos fármacos e
outras substâncias, como as enzimas.
● Controlar o equilibrio hidro-salínico normal.
Doenças do fígado
São várias as doenças que podem atingir o fígado. Os sintomas variam
conforme a gravidade, mas alguns dos mais comuns são:
icterícia, retenção de líquido, fadiga, tendência ao sangramento,
fraqueza muscular, urina escura, náuseas e vômitos, fezes
esbranquiçadas e confusão mental.
Dependendo dos danos causados ao órgão pela doença de base, podem
ocorrer alterações na absorção de vitaminas e nutrientes, acúmulo de
substâncias tóxicas no organismo e redução da produção de proteínas
e outros fatores necessários para a coagulação sangüínea.
Se a alteração hepática for muito grave, o transplante pode ser
necessário.
● Afecções inflamatórias agudas: difusas (hepatite) ou
circunscritas (abscesso)
● Afecções caracterizadas principalmente por esclerose
(cirroses)
● Afecções tumorais (câncer do fígado, primitivo ou
secundário)
● Comprometimentos hepáticos no decorrer de afecções cardiovasculares
(fígado cardíaco);
● Localizações hepáticas de diversas doenças gerais (cisto hidático).
Os males e a prevenção
Cirrose - Doença crônica caracterizada pela destruição das células
hepáticas e sua substituição por tecido cicatricial. Esses danos são
irreversíveis e, se a causa da doença não for tratada a tempo, o
processo leva à falência total do fígado e à morte. A cirrose ocorre
mais freqüentemente em alcoólatras, especialmente se sua dieta é
pobre. O álcool lesa diretamente a célula hepática, alterando seu
metabolismo e provocando sua morte. A cirrose pode ser também
decorrente de uma insuficiência cardíaca ou uma hepatite.
Hepatite - É uma infecção do fígado, que pode ser viral ou não viral
(geralmente provocada por drogas). Existem três formas conhecidas de
hepatite viral: tipo A, B ou C. Recentemente, foi descoberto um novo
vírus, o G, mas ainda não se sabe se ele também causa a doença. A
hepatite tipo A é chamada de infecciosa e é transmitida por
alimentos contaminados (principalmente frutos do mar), água, leite,
sêmen, lágrimas e fezes. É uma doença geralmente benigna, mas que,
em alguns casos mais raros, pode vir na forma de uma infecção
fulminante, que mata em duas a três semanas. Uma pessoa que contraia
hepatite tipo A não se torna um portador, mas um paciente afetado
com tipo B carrega a doença por um período indefinido. A hepatite B
é transmitida pelo sangue, saliva ou sêmen, e usualmente tem uma
evolução lenta e prolongada (de 40 a 100 dias). Alguns portadores do
vírus B (VHB), no entanto, desenvolvem hepatite crônica, que pode
evoluir para cirrose ou câncer de fígado.
Embora hepatite B e aids tenham as mesmas formas de transmissão
(contato sexual, sangue contaminado), o VHB é aproximadamente 100
vezes mais contagioso que o vírus da aids. A terceira forma
conhecida de hepatite é a tipo C, que geralmente resulta de
transfusões de sangue contaminado e também pode evoluir para uma
cirrose. O tratamento é feito com drogas que melhoram o sistema
imunológico, como o interferon. Mas o medicamento tem fortes efeitos
colaterais e nem todos os pacientes respondem positivamente. Por
isso, o melhor meio de evitar o problema é o aprimoramento na
qualidade dos bancos de sangue, o uso de preservativo nas relações
sexuais e a vacinação, já existente para os vírus A e B. As
hepatites não virais são geralmente causadas pela exposição a
substâncias químicas ou drogas como o álcool, agrotóxicos, fósforo,
mercúrio, tetracloreto de carbono e alguns medicamentos
antidepressivos e anticancerígenos.
Além da hepatite viral, há a
auto-imune (ou seja, o sistema imunológico passa a reconhecer seus
próprios tecidos como estranhos e a atacá-los) ou causada pela
reação ao álcool ou a medicamentos.
Outros tipos de hepatite, como as secundárias a doenças metabólicas,
genéticas, infiltrativas, devido a colangite esclerosante e a
atresia das vias biliares (doença que causa obstrução do fluxo da
bile como conseqüência do fechamento total ou parcial dos ductos
biliares, causando acúmulo de bile no fígado) são menos freqüentes
que as infecciosas. A hepatite alcoólica é bem freqüente. O álcool
produz lesões no fígado que podem agravar outros tipos de hepatite.
Icterícia - É o aumento da quantidade de bile em circulação no
sangue, tornando a pele e a esclera (branco do olho) amarelados,
devido ao pigmento da bile, a bilirrubina.
Ela pode ter três diferentes causas:
1 - Icterícia hemolítica: ocorre quando as células vermelhas do
sangue são destruídas em um número maior do que o fígado é capaz de
suportar. Ela pode ser provocada por distúrbios sangüíneos, como
anemia falciforme, talassemia e malária.
2 - Icterícia hepática: a habilidade do fígado em absorver
bilirrubina fica prejudicada, geralmente devido a uma hepatite viral
ou ação de drogas, como álcool e medicamentos. Situação semelhante
ocorre na icterícia neonatal: o fígado, imaturo, é incapaz de
excretar grandes quantidades de bilirrubina, devido à deficiência na
produção de enzimas. Nesse caso, raios ultravioleta são utilizados
para estimular as enzimas na pele, evitando que a bilirrubina exceda
os níveis aceitáveis no sangue e se deposite no cérebro, provocando
deficiência mental.
3 - Icterícia obstrutiva: é produzida quando obstruções no ducto do
fígado, provocadas principalmente por cálculos ou tumores, fazem a
bilirrubina voltar das células do fígado para dentro dos sinusóides,
os vasos capilares sangüíneos que transportam sangue às células
hepáticas.
Dúvidas
Problemas de fígado causam enxaqueca?
Não existe nenhuma relação comprovada entre dores de cabeça e
problemas renais.
Depois de beber, é bom tomar remédios hepatoprotetores?
Tais medicamentos, vendidos sem receita médica e compostos de sais
minerais, aminoácidos e vitaminas, não têm qualquer efeito protetor
sobre o fígado. Para quem não quer sofrer danos advindos do álcool,
só existe um conselho: beber com moderação.
Alimentos gordurosos "atacam" o fígado?
Não. Vítimas de insuficiência renal podem ter dificuldades em
digerir gorduras por distúrbios no metabolismo da bile. Da mesma
forma, pedras na vesícula podem impedir a passagem da bile, que é
uma substância essencial na digestão das gorduras. Mas quem possui
um fígado saudável pode ingerir gorduras sem problema.
Alcachofra é bom para o fígado?
Puro folclore. Alcachofra é apenas um saboroso alimento.
Como o álcool destrói o fígado
Em todo o mundo, o alcoolismo é uma das principais causas das
doenças hepáticas. O etanol exerce ação tóxica direta no fígado, uma
vez que seu metabolismo se processa principalmente nesse órgão.
Quanto mais a pessoa bebe, mais o fígado vai aumentando sua
capacidade de metabolismo, o que se traduz num aumento da tolerância
ao álcool. Mas o organismo paga um preço alto por esse excesso de
trabalho: com o tempo, surgem alterações nas células hepáticas.
Inicialmente, ocorre uma esteatose, ou seja, o acúmulo de gordura no
órgão, tornando-o amarelo e aumentado. Essa lesão ainda é
reversível, mas, se o paciente não abandonar a bebida, pode evoluir
para necrose (morte) das células e formação de fibroses
(cicatrizes), caracterizando o que os médicos chamam de hepatite
alcoólica. Mais grave ainda é a cirrose: em sua fase avançada, o
fígado encolhe e tem suas funções comprometidas de forma
irreversível.
Embora normalmente sejam necessárias doses elevadas de etanol para
provocar uma hepatite alcoólica ou cirrose, alguns homens podem
desenvolver uma doença hepática com apenas 40 gramas de álcool puro
por dia, o equivalente a duas doses de bebida destilada (pinga, por
exemplo). Nas mulheres, a metade disso já pode causar os mesmos
efeitos nocivos. Isso se explica porque a mulher absorve 30% mais de
álcool que o homem. O organismo feminino tem mais dificuldade para
metabolizar o álcool, provavelmente por ter mais gordura e menos
água que o masculino, o que leva a um aumento da concentração
alcoólica no sangue. E o pior é que o número de mulheres viciadas em
álcool está aumentando. Segundo a Organização Mundial da Saúde,
enquanto na década de 70 havia no país uma mulher alcoólatra para
cada 20 homens, hoje a relação é de 1 para 7. Vale lembrar, no
entanto, que o alcoolismo não apenas causa doenças, mas é também, em
si, uma doença, que requer tratamento e pode ser curada.

Síntese da bile
Uma das principais funções do fígado é a secreção da bile, um
líquido alcalino e amargo contendo água, bicarbonato de sódio, sais
biliares, pigmentos, colesterol e bilirrubina, entre outros
elementos. Cerca de um litro de bile é secretado pelo fígado todos
os dias. Ela é estocada na vesícula biliar, em uma forma altamente
concentrada até que seja exigido para quebrar gorduras. Os sais
biliares atuam como detergentes, emulsionando as gorduras e
fragmentando as suas gotículas, para aumentar sua superfície de
exposição às enzimas e, assim, facilitar a transformação química
necessária à perfeita absorção pelo organismo.
Fonte: dr. Hoel Sette Jr., Clínica Pró-Fígado
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