Mulheres desconhecem males do colesterol
Pesquisa com mulheres latino-americanas mostra que quase 90% delas desconhecem
seus níveis de colesterol. Apenas 3% se preocupam em prevenir doenças
cardiovasculares.
Embora as doenças cardiovasculares sejam a principal causa de morte de mulheres
no mundo, elas não dão a devida atenção aos fatores de risco que causam estas
doenças, como o colesterol elevado. Esse é o resultado de uma pesquisa realizada
pelo laboratório Merck Sharp & Dohme na América Latina com 900 mulheres de 9
países: Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, México, Peru e
Venezuela.
De acordo com a pesquisa, 87% das mulheres entrevistadas desconheciam os
próprios níveis de colesterol e 40% nunca haviam feito esse tipo de exame. Entre
as mulheres com mais de 50 anos, a taxa de desconhecimento também foi alta
(70%). Esses dados são alarmantes, já que diferentes estudos mostram que, após
os 45 anos, os níveis de colesterol são mais altos em mulheres do que em homens.
De acordo com a Global Heart Federation, cerca de 50% das mortes de mulheres
acima de 50 anos nos países em desenvolvimento são causadas por doenças
cardiovasculares. Outros dados da mesma entidade apontam que mais de 8 milhões
de mulheres morrem por ano no mundo em conseqüência de doenças cardiovasculares,
como infarto e derrame cerebral. Este número é quase oito vezes mais elevado do
que o de mortes por câncer de mama – uma das principais preocupações femininas
com a saúde - e seis vezes maior que o de mortes causadas pelo HIV/AIDS. A
orientação do AHA (American Heart Association) é de que todos os adultos acima
dos 20 anos devem realizar testes de medição de colesterol e triglicérides uma
vez a cada cinco anos.
No entanto, os resultados da pesquisa mostram que tal recomendação não é levada
em conta porque as mulheres não têm grande preocupação com as doenças
cardiovasculares. Na escala de prioridade para prevenção de doenças apontada
pelas entrevistadas, o câncer ocupa o primeiro lugar (45%), seguido pelas
doenças sexualmente transmissíveis (34%), hipertensão (6%) e, por último, o
colesterol, com apenas 3%.
No Brasil
Entre as brasileiras que participaram da pesquisa, 53% apontaram o câncer em
primeiro lugar como doença prioritária em termos de prevenção, seguido pelas
doenças sexualmente transmissíveis (18%), hipertensão e osteoporose (11%),
obesidade (6%) e, por último, o colesterol (2%).
A maioria das brasileiras (68%) também desconhece seus níveis de colesterol.
Apesar de 96% das entrevistadas já ter colhido sangue para avaliação do
colesterol, na faixa entre 35 a 49 anos o índice de desinformação sobre o tema
sobe para 78%.