a importância do ácido fólico antes e durante a gravidez
Pelo menos um mês antes de ficar grávida até o final do primeiro trimestre de
gestação, a mulher deve receber suplementação de ácido fólico – vitamina
fundamental à formação do DNA e ao desenvolvimento fetal. No entanto, pesquisa
realizada com mulheres que tinham acabado de dar à luz em Pelotas (RS) mostrou
que apenas 31,8% delas usaram ácido fólico em algum momento durante a gestação.
O percentual de mães que começaram a usar a vitamina antes da gravidez foi ainda
menor: 4,3%, índice bastante inferior ao verificado em países desenvolvidos,
como Estados Unidos, Canadá, Holanda e Reino Unido.
O ácido fólico ajuda a prevenir defeitos no fechamento do tubo neural, primórdio
do sistema nervoso central do feto. Falhas nesse processo levam à morte do bebê
ou causam seqüelas graves. Entre 1990 e 2002, das 71.500 crianças nascidas em
Pelotas, 150 apresentaram defeitos do tubo neural, como anencefalia (não
formação do encéfalo) e espinha bífida (malformação da coluna vertebral, em
geral com comprometimento da sensibilidade e paralisia parcial ou completa dos
músculos esqueléticos). Os números revelam uma prevalência importante de
defeitos do tubo neural, o que demonstra a necessidade da prevenção por meio do
uso do ácido fólico.
Com o objetivo de avaliar a implementação dessa medida preventiva, pesquisadores
entrevistaram 1.450 mulheres no pós-parto nas cinco maternidades do município,
entre abril e agosto de 2006. As mães tinham, em média, 26 anos de idade, oito
anos completos de estudo e renda familiar de R$ 636. Apenas 22,2% das
entrevistadas sabiam qual o período adequado para uso do ácido fólico e somente
12,8% conheciam o benefício da vitamina.
Como o ideal é que as mulheres comecem a receber a suplementação de ácido fólico
antes de ficarem grávidas, a gestação não planejada é um dos aspectos que
explicam por que elas não usam a vitamina no período recomendado. De acordo com
os resultados da pesquisa em Pelotas, as menores prevalências do consumo da
substância foram encontradas entre mulheres que, além de não terem planejado a
gravidez, eram mais jovens, menos escolarizadas, não brancas, mais pobres, com
menor número de consultas no pré-natal e com consultas feitas na rede pública.
Segundo os pesquisadores, embora a maioria das mulheres tenha acesso ao
pré-natal em Pelotas, muitas não são devidamente orientadas sobre o uso do ácido
fólico.
O Ministério da Saúde regulamentou, em 2002, o acréscimo de 0,15 miligrama de
ácido fólico para cada 100 gramas de farinha de trigo ou milho. Apesar da
eficácia dessa medida, os pesquisadores acreditam que, para alcançar melhores
resultados preventivos, o enriquecimento das farinhas não é suficiente. Eles
defendem também o uso da vitamina na forma de medicamento, onde as doses da
substância são mais elevadas. “Campanhas de divulgação da importância do ácido
fólico através da mídia, nas escolas e nos serviços de saúde, assim como a
distribuição gratuita do medicamento na rede pública para todas as mulheres em
idade fértil, promoveriam o uso adequado da vitamina na prevenção dos defeitos
do tubo neural”, conclui a farmacêutica Cíntia Mezzomo, uma das autoras da
pesquisa.