Ano 11 - Semana 547
 

As doenças gengivais se caracterizam por inflama-ção crônica e, segundo vários estudos científicos, estão associadas ao maior risco de problemas cardía-cos. Ainda não se sabe se a existência da doença gengival em si contribui para o problema das artérias coronárias ou se processos infecciosos e inflamatórios subjacentes contribuem tanto para acometimento da gengiva quanto coronárias.
É recomendável higiene bucal adequada, de modo a reduzir a gengivite. Isso inclui atenção aos proble-mas da boca e ida pe-riódica ao dentista.
Prevenção é fundamental.
(Dr. Sergio Vaisman)

 


 

 

  10 de novembro, 2007
 

A importância do ácido fólico

antes e durante a gravidez
 



Pelo menos um mês antes de ficar grávida até o final do primeiro trimestre de gestação, a mulher deve receber suplementação de ácido fólico – vitamina fundamental à formação do DNA e ao desenvolvimento fetal. No entanto, pesquisa realizada com mulheres que tinham acabado de dar à luz em Pelotas (RS) mostrou que apenas 31,8% delas usaram ácido fólico em algum momento durante a gestação. O percentual de mães que começaram a usar a vitamina antes da gravidez foi ainda menor: 4,3%, índice bastante inferior ao verificado em países desenvolvidos, como Estados Unidos, Canadá, Holanda e Reino Unido.

O ácido fólico ajuda a prevenir defeitos no fechamento do tubo neural, primórdio do sistema nervoso central do feto. Falhas nesse processo levam à morte do bebê ou causam seqüelas graves. Entre 1990 e 2002, das 71.500 crianças nascidas em Pelotas, 150 apresentaram defeitos do tubo neural, como anencefalia (não formação do encéfalo) e espinha bífida (malformação da coluna vertebral, em geral com comprometimento da sensibilidade e paralisia parcial ou completa dos músculos esqueléticos). Os números revelam uma prevalência importante de defeitos do tubo neural, o que demonstra a necessidade da prevenção por meio do uso do ácido fólico.

Com o objetivo de avaliar a implementação dessa medida preventiva, pesquisadores entrevistaram 1.450 mulheres no pós-parto nas cinco maternidades do município, entre abril e agosto de 2006. As mães tinham, em média, 26 anos de idade, oito anos completos de estudo e renda familiar de R$ 636. Apenas 22,2% das entrevistadas sabiam qual o período adequado para uso do ácido fólico e somente 12,8% conheciam o benefício da vitamina.

Como o ideal é que as mulheres comecem a receber a suplementação de ácido fólico antes de ficarem grávidas, a gestação não planejada é um dos aspectos que explicam por que elas não usam a vitamina no período recomendado. De acordo com os resultados da pesquisa em Pelotas, as menores prevalências do consumo da substância foram encontradas entre mulheres que, além de não terem planejado a gravidez, eram mais jovens, menos escolarizadas, não brancas, mais pobres, com menor número de consultas no pré-natal e com consultas feitas na rede pública. Segundo os pesquisadores, embora a maioria das mulheres tenha acesso ao pré-natal em Pelotas, muitas não são devidamente orientadas sobre o uso do ácido fólico.

O Ministério da Saúde regulamentou, em 2002, o acréscimo de 0,15 miligrama de ácido fólico para cada 100 gramas de farinha de trigo ou milho. Apesar da eficácia dessa medida, os pesquisadores acreditam que, para alcançar melhores resultados preventivos, o enriquecimento das farinhas não é suficiente. Eles defendem também o uso da vitamina na forma de medicamento, onde as doses da substância são mais elevadas. “Campanhas de divulgação da importância do ácido fólico através da mídia, nas escolas e nos serviços de saúde, assim como a distribuição gratuita do medicamento na rede pública para todas as mulheres em idade fértil, promoveriam o uso adequado da vitamina na prevenção dos defeitos do tubo neural”, conclui a farmacêutica Cíntia Mezzomo, uma das autoras da pesquisa.

 

 


Direção e Editoria - Irene Serra