Gordura abdominal aumenta risco de infarte
Há algum tempo a obesidade vem ganhando destaque na mídia e no
cotidiano das pessoas. A globalização e o avanço tecnológico
simplificam a vida das pessoas que optam por fazer refeições mais
rápidas e contam com uma vida facilitada, principalmente nos
afazeres domésticos. Em contra-partida, essa praticidade e ganho de
tempo se convertem em déficit para a saúde. Alia-se a isso a falta
de atividades físicas na vida das pessoas e tem-se uma população
cada vez mais obesa e com a saúde em risco. No Brasil, mais da
metade da população está com sobrepeso.
A constatação levou a comunidade médica mundial a partir em busca de
soluções no combate ao crescimento da obesidade e, respectivamente,
das doenças congênitas como colesterol, diabetes, artrose,
hipertensão, entre outras. Algumas observações começaram a surgir
após comprovações empíricas de casos e já estão totalmente
integradas aos tratamentos de algumas doenças.
A maioria dos pacientes e até mesmo alguns médicos, não sabem que o aumento da medida da circunferência da cintura é um importante fator de risco para doenças cardíacas - que matam 17 milhões de pessoas todos os anos no mundo. No Brasil, quem fuma tem 4,3 vezes mais chances de um infarto no miocárdio comparado àqueles que se mantêm longe do tabagismo.
Uma cintura de mais 80 cm para as mulheres e mais de 94 cm para os homens
representa um risco 3,25 vezes maior de doenças cardiovasculares.
Estudos indicam que uma perda de 10% no peso pode proporcionar redução de até
30% na gordura abdominal.
“Para se ter idéia, a medida da circunferência abdominal (feita com uma simples fita métrica) é considerada hoje pelos especialistas uma indicação mais precisa do que o índice de massa corpórea (o IMC
é calculado dividindo-se o peso pela altura ao quadrado. Um IMC acima de 25
representa sobrepeso e acima de 30, obesidade.). A medida da circunferência
abdominal é uma ferramenta efetiva para identificar indivíduos sob risco cardiovascular
e outros fatores como o colesterol alto, a diabete tipo II e a hipertensão. E apesar dos avanços terapêuticos, a DCV - Doença Coronariana Vascular -, permanece como a principal causa de morte no planeta”, explica dr. Pavanello,
Supervisor de Cardiologia do HCor.
Mais de 16 mil pessoas de 27 países, inclusive o Brasil, participaram em julho de uma pesquisa pela Shape of the Nations – com o apoio da Federação Mundial de Cardiologia (World Heart Federation - WHF). O levantamento procurou avaliar o grau de conhecimento de médicos e pacientes sobre a relação entre obesidade abdominal e problemas cardiovasculares: 66% das pessoas acreditam ter medidas saudáveis; 16% levam em consideração o tamanho das roupas; 10% chegam a essa conclusão olhando-se no espelho; 6% recorrem aos cálculos do índice de massa corpórea (IMC) e apenas 1% mede a circunferência da cintura. A distribuição de gordura no corpo segue dois padrões: forma de maçã (a gordura fica acumulada no abdômen) e forma de pêra (caracterizada pela deposição de gordura nos quadris).
Os distúrbios cardíacos ou o acidente vascular cerebral (AVC) são responsáveis a cada ano por 17 milhões de mortes, ou seja, um terço dos óbitos no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a previsão até 2010 é de que a doença cardíaca será a principal causa de óbito nos países desenvolvidos. Um outro fator que contribui para a epidemia da DCV é a prevalência de diabetes - que até o ano de 2025, de acordo com a Federação Internacional de Diabetes deve aumentar cerca de 72%.
O conjunto de fatores de risco que associados elevam as chances de desenvolver doenças cardíacas, derrames e diabetes, além de aumentar a mortalidade geral em cerca de 1,5 vezes e a cardiovascular em cerca de 2,5 vezes é chamado de Síndrome Metabólica (SM). Nos Estados Unidos estima-se que 24% da população adulta seja portadora de SM e que aproximadamente 50 a 60% dos americanos com mais de cinqüenta anos também façam parte dessa preocupante população de alto risco cardiovascular. “Alguns fatores contribuem para o aparecimento da SM: os genéticos, o excesso de peso (especialmente na região abdominal) e a vida sedentária”, finaliza dr. Pavanello.
Dicas para o controle da Obesidade abdominal:
1. Para adultos, uma caminhada de 30 minutos por dia ajuda a reduzir os riscos de DCV;
2. Crianças podem ter 60 minutos de atividade física diária;
3. Procure ajuda de pessoas incentivadoras que participem com você ou mesmo lembrem sobre a importância da prática de exercícios;
4. Reduza o tempo que você e sua família passam diante da televisão ou do computador;
5. Exercícios físicos e dietas são considerados terapia de primeira escolha podendo levar a uma redução expressiva da circunferência abdominal;
6. Antes de dar início a qualquer programa de exercício ou reeducação alimentar, consulte seu médico;
7. Para medir corretamente o abdômen: pegue a fita métrica, tire a camisa e afrouxe o cinto; posicione a fita métrica entre a borda inferior das costelas e a borda superior do quadril. Relaxe o abdômen e expire no momento de medir;
Um alerta: a gordura abdominal é reconhecida por 58% dos médicos como fator de risco significativo para doença cardíaca. No entanto, 45% reportaram nunca ter medido circunferência da cintura de seus pacientes. 59% dos pacientes sob risco de doença cardíaca dizem que nunca foram informados por seus médicos sobre a relação entre gordura abdominal e aumento no risco de desenvolver doenças cardíacas. Atualmente a maioria da população parece estar mais focada no peso do que no excesso de gordura abdominal: no Brasil, 66% dos entrevistados controlam seu peso por meio de balança, comparados aos 6% que calculam seu IMC e a 1% que mede a circunferência abdominal. Em média, 46% das pessoas que passaram nos serviços de atendimento médico primário no Brasil estão acima do peso ou obesas, contra 54% registradas no México e uma média de 38% nos países europeus.