Ano 11 - Semana 556

 

As doenças gengivais se caracterizam por inflama-ção crônica e, segundo vários estudos científicos, estão associadas ao maior risco de problemas cardía-cos. Ainda não se sabe se a existência da doença gengival em si contribui para o problema das artérias coronárias ou se processos infecciosos e inflamatórios subjacentes contribuem tanto para acometimento da gengiva quanto coronárias.
É recomendável higiene bucal adequada, de modo a reduzir a gengivite. Isso inclui atenção aos proble-mas da boca e ida periódica ao dentista.
Prevenção é fundamental.
(Dr. Sergio Vaisman)

 


 

 

  24 de novembro, 2007
 

Artrite Reumatoide

Precisão do diagnóstico não acompanha
a evolução no tratamento da doença


Apesar da evolução do tratamento, grande parte dos pacientes acometidos pela artrite reumatoide ainda sofrem com o diagnóstico ou encaminhamento inadequado. Dos quase 2 milhões de portadores da doença no Brasil, apenas 60% são diagnosticados corretamente. Isso acontece porque a identificação exige um profundo conhecimento do paciente, bem como a qualificação do profissional que faz o atendimento.

No Brasil, existem poucos reumatologistas e muitos pacientes são atendidos por ortopedistas que não estão habilitados para o diagnóstico correto. Com esta situação, muitos pacientes não são diagnosticados corretamente, sendo tratados apenas os sintomas e não a causa da doença. Quando identificada corretamente, a AR já está em fase mais avançada, dificultando o tratamento.

O desconhecimento sobre a origem e a dificuldade no diagnóstico, no entanto, não têm impedido que as pesquisas avancem continuamente na busca de novas e mais modernas opções terapêuticas para a artrite reumatoide. Nos últimos 20 anos, o tratamento passou por grandes mudanças.

No início, esses tratamentos atuavam apenas no combate à dor e à inflamação, sem impedir o avanço do problema de forma significativa. Os principais exemplos são os analgésicos, os antiinflamatórios não hormonais (AINHs) e os corticosteróides, derivados da cortisona.

Anos depois, surgiram as drogas anti-reumáticas chamadas de “modificadoras do curso da doença” (DMARD, na sigla em inglês), capazes de evitar novos surtos de inflamação e retardar a progressão da artrite reumatoide e, em alguns poucos casos, promover a sua remissão.

Mais recentemente, os medicamentos biológicos surgiram como nova opção terapêutica. Recebem esse nome porque o processo de fabricação contempla moléculas com elementos biológicos, do organismo humano ou de animais, dentro de um processo mais complexo.

Há, inclusive aqui no país, opções eficazes de medicamentos biológicos para tratar a artrite reumatoide. A boa notícia é que, nessa semana, a Anvisa (Agência Nacional de vigilância Sanitária) aprovou no Brasil o medicamento abatacepte, já aprovado na Europa e na Argentina e já comercializado nos Estados Unidos desde março de 2006, e que estava previsto para chegar ao mercado brasileiro em setembro.


Uma nova classe entre os biológicos

O Orencia® (abatacepte), da Bristol-Myers Squibb, inaugura uma nova classe de medicamentos biológicos para tratamento de doenças auto-imunes, isto é, doenças decorrentes de desequilíbrios no sistema imunológico do organismo humano. Está indicado para o tratamento de pacientes com artrite reumatoide moderada a grave, tanto como primeira opção entre os medicamentos biológicos como para casos onde o paciente não respondeu adequadamente ao tratamento com alguns outros biológicos já utilizados, conhecidos como “anti-TNFs”.

O principal diferencial do abatacepte está na forma de ação, que pode significar uma melhor combinação de eficácia e segurança que outros medicamentos disponíveis. O medicamento é uma proteína de fusão que modula a co-estimulação das células T, responsáveis pelo desencadeamento do processo inflamatório que caracteriza a artrite reumatoide.

Para que o processo inflamatório seja desencadeado são necessárias duas etapas (ou dois sinais) de ativação das células T. O abatacepte atua impedindo que a segunda etapa – ou “segundo sinal” do processo de ativação ocorra. O medicamento age, portanto, em uma etapa precoce do processo inflamatório, diferente dos demais medicamentos biológicos, que atuam sobre o TNF (fator de necrose tumoral), uma substância “mensageira” do processo inflamatório.

 

 


 


 

Direção e Editoria - Irene Serra

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