ARTRITE REUMATÓIDE
PRECISÃO DO DIAGNÓSTICO NÃO ACOMPANHA
A EVOLUÇÃO NO TRATAMENTO DA DOENÇA
Aproximadamente 40% dos casos de artrite reumatóide recebem
diagnóstico ou
encaminhamento inadequado
Apesar da evolução do tratamento, grande parte dos pacientes acometidos pela
artrite reumatóide ainda sofrem com o diagnóstico ou encaminhamento inadequado.
Dos quase 2 milhões de pessoas portadoras da doença no Brasil, apenas 60% são
diagnosticados corretamente. Isso acontece porque a identificação exige um
profundo conhecimento do paciente, bem como a qualificação do profissional que
faz o atendimento.
No Brasil, existem poucos reumatologistas e muitos pacientes são atendidos por
ortopedistas que não estão habilitados para o diagnóstico correto. Com esta
situação, muitos pacientes não são diagnosticados corretamente, sendo tratados
apenas os sintomas e não a causa da doença. Quando identificada corretamente, a
AR já está em fase mais avançada, dificultando o tratamento.
O desconhecimento sobre a origem e a dificuldade no diagnóstico, no entanto, não
têm impedido que as pesquisas avancem continuamente na busca de novas e mais
modernas opções terapêuticas para a artrite reumatóide. Nos últimos 20 anos, o
tratamento passou por grandes mudanças.
No início, esses tratamentos atuavam apenas no combate à dor e à inflamação, sem
impedir o avanço do problema de forma significativa. Os principais exemplos são
os analgésicos, os antiinflamatórios não hormonais (AINHs) e os corticosteróides,
derivados da cortisona.
Anos depois, surgiram as drogas anti-reumáticas chamadas de “modificadoras do
curso da doença” (DMARD, na sigla em inglês), capazes de evitar novos surtos de
inflamação e retardar a progressão da artrite reumatóide e, em alguns poucos
casos, promover a sua remissão.
Mais recentemente, os medicamentos biológicos surgiram como nova opção
terapêutica. Recebem esse nome porque o processo de fabricação contempla
moléculas com elementos biológicos, do organismo humano ou de animais, dentro de
um processo mais complexo.
Há, inclusive aqui no país, opções eficazes de medicamentos biológicos para
tratar a artrite reumatóide. A boa notícia é que, nessa semana, a Anvisa
(Agência Nacional de vigilância Sanitária) aprovou no Brasil o medicamento
abatacepte, já aprovado na Europa e na Argentina e já comercializado nos Estados
Unidos desde março de 2006, e que estava previsto para chegar ao mercado
brasileiro em setembro.
Uma nova classe entre os biológicos
O Orencia® (abatacepte), da Bristol-Myers Squibb, inaugura uma nova classe de
medicamentos biológicos para tratamento de doenças auto-imunes, isto é, doenças
decorrentes de desequilíbrios no sistema imunológico do organismo humano. Está
indicado para o tratamento de pacientes com artrite reumatóide moderada a grave,
tanto como primeira opção entre os medicamentos biológicos como para casos onde
o paciente não respondeu adequadamente ao tratamento com alguns outros
biológicos já utilizados, conhecidos como “anti-TNFs”.
O principal diferencial do abatacepte está na forma de ação, que pode significar
uma melhor combinação de eficácia e segurança que outros medicamentos
disponíveis. O medicamento é uma proteína de fusão que modula a co-estimulação
das células T, responsáveis pelo desencadeamento do processo inflamatório que
caracteriza a artrite reumatóide.
Para que o processo inflamatório seja desencadeado são necessárias duas etapas
(ou dois sinais) de ativação das células T. O abatacepte atua impedindo que a
segunda etapa – ou “segundo sinal” do processo de ativação ocorra. O medicamento
age, portanto, em uma etapa precoce do processo inflamatório, diferente dos
demais medicamentos biológicos, que atuam sobre o TNF (fator de necrose tumoral),
uma substância “mensageira” do processo inflamatório.