Nova abordagem para tratar a Doença de Alzheimer
Tratamento não-farmacológico auxilia cuidadores e portadores
da doença a viverem com dignidade e qualidade de vida
A população idosa é a que mais cresce no Brasil. De acordo com o Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), até 2025 serão cerca de 34 milhões
brasileiros na faixa acima dos 60 anos, que representarão 15% da população. Esta
projeção é baseada na elevação da expectativa de vida no país. Atualmente, uma
pessoa que nasceu em 2006 possui uma expectativa média de vida de 72,3 anos.
“O envelhecimento da população não preocupa apenas a comunidade médica
brasileira, pois esse movimento acontece em escala global. A melhoria das
condições de vida, o avanço da ciência e o acesso a uma medicina mais voltada
para a qualidade de vida do paciente são os fatores que contribuem para o
crescimento progressivo da população idosa” afirma o Dr. Paulo Renato Canineu,
médico geriatra e gerontólogo.
Com o envelhecimento da população dois fenômenos se destacam, a senescência e a
senilidade. O primeiro representa o processo natural de envelhecimento, ao qual
todo ser vivo está submetido. Já a senilidade acontece quando, durante o
processo de envelhecimento, há o esmorecimento da memória e limitações físicas.
“Uma das doenças que mais fragiliza o idoso é a Doença de Alzheimer, pois ela
ataca o sistema cognitivo do indivíduo e, dessa maneira, prejudica as relações
interpessoais afastando a pessoa do convívio social e familiar” explica o Dr.
Canineu.
A busca pelo bem-estar e a qualidade de vida do paciente tem direcionado a
ciência e a medicina para atuarem em conjunto, reunindo especialidades que
abordam o paciente de forma complementar. “A interdisciplinaridade resulta em
uma medicina para prevenção, que reduz a incidência de doenças da senilidade e
atenua seus fatores. Por exemplo, durante o V Congresso Mundial de Demência
Vascular, em Budapest, foi demonstrado que a arteriosclerose se aproxima cada
vez mais da doença de Alzheimer, pois a má circulação pode desencadear processos
degenerativos” exemplifica o especialista.
O Brasil figura no grupo dos dez países com mais idosos no mundo. China, Índia,
EUA, Japão, Rússia, Alemanha, Itália, França e Brasil juntos têm 62% da
população mundial com mais de 60 anos de idade (IBGE 2005). De acordo com a
Associação Brasileira de Alzheimer (Abraz), cerca de 1,2 milhões de brasileiros
são portadores de demências.
Diante deste cenário, novas formas de abordagem da doença de Alzheimer, voltadas
ao bem-estar e qualidade de vida do paciente, têm se mostrado bastante
eficientes como coadjuvantes nos tratamentos farmacológicos. A Ciência não tem
respostas, mas metade das pessoas não reage bem ao uso de remédios. Somente os
mais sensíveis oferecem resposta positiva aos medicamentos.
“As abordagens interdisciplinares, entre especialidades médicas e não-médicas,
resultam de uma combinação entre procedimentos que reeducam a pessoa por meio de
um novo processo cognitivo. Acredita-se que o ser humano possui cerca de 100
bilhões de neurônios. No entanto, durante toda a vida, uma parte deles permanece
em repouso no cérebro” esclarece o Dr. Canineu.
Em quadros de demência manifestada, a exemplo da doença de Alzheimer, calcula-se
que há uma perda de pelo menos 40% dos neurônios (cerca de 40 bilhões), que são
atingidas pelo processo de degeneração. A Ciência se volta cada vez mais para o
que é possível fazer com os quase 60 bilhões de neurônios que ainda estão lá.
“A chave para a senescência pode estar no que chamamos de neuroplasticidade, a
capacidade de um neurônio diferenciar-se em funções específicas e assumir
àquelas das células que foram prejudicadas. Temos como exemplo os casos de
pessoas que, ao sofrerem um Acidente Vascular Encefálico, perderam a fala e com
o auxílio de técnicas de reabilitação a recuperaram” exemplifica o médico.
Trabalhar a cognição é investir na capacidade de aprendizado do indivíduo, uma
função sincrônica do cérebro que envolve a atenção, a percepção, a memória, o
raciocínio, o juízo, a imaginação, o pensamento e a linguagem. É como ensinar
novamente o paciente a aprender e, dessa maneira, desenvolver os potenciais
ainda existentes.
Pesquisas recentes também associam os hábitos alimentares ao desenvolvimento da
doença de Alzheimer. De acordo com a Academia Americana de Neurologia, uma
alimentação rica em ômega 3, presentes em substâncias como óleo de canola, óleo
de linhaça e óleo de nozes, pode reduzir os riscos de Alzheimer em até 60%.
Ou seja, a doença de Alzheimer é uma lacuna no conhecimento sobre a mente
humana. Podemos avaliar o que é o processo de degeneração e sua evolução. No
entanto, não somos capazes de revertê-lo, apenas retardá-lo parcialmente e
temporariamente por meio de atividades e hábitos que estimulam e preservam a
saúde dos pacientes.
Doença de Alzheimer
A doença de Alzheimer afeta pessoas em idade avançada, causando a degeneração de
partes do cérebro, com destruição celular e redução da reação das células
restantes a muitas das substâncias químicas que transmitem sinais no cérebro. Ou
seja, o portador perde gradativamente suas capacidades cognitivas, físicas e
motoras. Atualmente, cerca de 10% da população mundial acima dos 65 anos sofre
da doença de Alzheimer, de acordo com a American Alzheimer’s Association. Aos 85
anos, essa porcentagem é de 50%.
Profº Dr. Paulo Renato Canineu professor da pós-graduação
em Gerontologia da PUC-SP, diretor científico do
Hiléa, diretor clínico da Aldeia de Emaús Casa de Idosos e vice-presidente da
Associação Brasileira de Alzheimer (Abraz).
Sobre o Hiléa
O Hiléa, centro de vivência e desenvolvimento para idosos do Brasil, é
referência na abordagem não-farmacológica como coadjuvante no tratamento de
portadores da Doença de Alzheimer. Inspirado nos grandes centros internacionais
que estudam os processos degenerativos da mente humana, o Hiléa propõe
atividades que estimulam a capacidade cognitiva, por meio de ações que integram
os portadores da demência entre si e com a sociedade. A vivência em grupo
proporciona uma situação de igualdade entre os demenciados, o que ajuda na
compreensão da doença e no convívio com as sua limitações. As atividades
culturais monitoradas, em museus, salas de arte, teatros e outros locais que
incentivam o exercício da mente, reaproximam o portador da Doença de Alzheimer
da sociedade.
Inédito no país, o centro é dotado de tecnologias de conforto e inovações
arquitetônicas comportamentais que auxiliam nos tratamentos e procedimentos mais
adequados a cada situação, sempre de forma humana e interdisciplinar. O complexo
integra - na mesma estrutura - vivência assistida, vivência diária, hospital de
apoio, reabilitação, consultórios gerontológicos, convivência e lazer para o
residente ou usuário que requeira ou não cuidados médicos.