Ano 11 - Semana 558
 

 
Os antioxidantes são um conjunto heterogêneo de substâncias formadas por vitaminas, minerais, pig-mentos naturais e outros compostos vegetais e, ainda, enzimas, que blo-queiam o efeito danoso dos radicais livres.
O termo antioxidante sig-nifica que impede a oxi-dação de outras subs-tâncias químicas, que ocorrem nas reações me-tabólicas ou por fatores exógenos como as radia-ções ionizantes.


 

 


 

 

  08 de dezembro, 2007
 

Doença de Alzheimer


Tratamento não farmacológico auxilia cuidadores e portadores
da doença a viverem com dignidade e qualidade de vida


A população idosa é a que mais cresce no Brasil. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), até 2025 serão cerca de 34 milhões brasileiros na faixa acima dos 60 anos, que representarão 15% da população. Esta projeção é baseada na elevação da expectativa de vida no país. Atualmente, uma pessoa que nasceu em 2006 possui uma expectativa média de vida de 72,3 anos.

“O envelhecimento da população não preocupa apenas a comunidade médica brasileira, pois esse movimento acontece em escala global. A melhoria das condições de vida, o avanço da ciência e o acesso a uma medicina mais voltada para a qualidade de vida do paciente são os fatores que contribuem para o crescimento progressivo da população idosa” afirma o Dr. Paulo Renato Canineu, médico geriatra e gerontólogo.

Com o envelhecimento da população dois fenômenos se destacam, a senescência e a senilidade. O primeiro representa o processo natural de envelhecimento, ao qual todo ser vivo está submetido. Já a senilidade acontece quando, durante o processo de envelhecimento, há o esmorecimento da memória e limitações físicas. “Uma das doenças que mais fragiliza o idoso é a Doença de Alzheimer, pois ela ataca o sistema cognitivo do indivíduo e, dessa maneira, prejudica as relações interpessoais afastando a pessoa do convívio social e familiar” explica o Dr. Canineu.

A busca pelo bem-estar e a qualidade de vida do paciente tem direcionado a ciência e a medicina para atuarem em conjunto, reunindo especialidades que abordam o paciente de forma complementar. “A interdisciplinaridade resulta em uma medicina para prevenção, que reduz a incidência de doenças da senilidade e atenua seus fatores. Por exemplo, durante o V Congresso Mundial de Demência Vascular, em Budapest, foi demonstrado que a arteriosclerose se aproxima cada vez mais da doença de Alzheimer, pois a má circulação pode desencadear processos degenerativos” exemplifica o especialista.

O Brasil figura no grupo dos dez países com mais idosos no mundo. China, Índia, EUA, Japão, Rússia, Alemanha, Itália, França e Brasil juntos têm 62% da população mundial com mais de 60 anos de idade (IBGE 2005). De acordo com a Associação Brasileira de Alzheimer (Abraz), cerca de 1,2 milhões de brasileiros são portadores de demências.

Diante deste cenário, novas formas de abordagem da doença de Alzheimer, voltadas ao bem-estar e qualidade de vida do paciente, têm se mostrado bastante eficientes como coadjuvantes nos tratamentos farmacológicos. A Ciência não tem respostas, mas metade das pessoas não reage bem ao uso de remédios. Somente os mais sensíveis oferecem resposta positiva aos medicamentos.

“As abordagens interdisciplinares, entre especialidades médicas e não-médicas, resultam de uma combinação entre procedimentos que reeducam a pessoa por meio de um novo processo cognitivo. Acredita-se que o ser humano possui cerca de 100 bilhões de neurônios. No entanto, durante toda a vida, uma parte deles permanece em repouso no cérebro” esclarece o Dr. Canineu.

Em quadros de demência manifestada, a exemplo da doença de Alzheimer, calcula-se que há uma perda de pelo menos 40% dos neurônios (cerca de 40 bilhões), que são atingidas pelo processo de degeneração. A Ciência se volta cada vez mais para o que é possível fazer com os quase 60 bilhões de neurônios que ainda estão lá.

“A chave para a senescência pode estar no que chamamos de neuroplasticidade, a capacidade de um neurônio diferenciar-se em funções específicas e assumir àquelas das células que foram prejudicadas. Temos como exemplo os casos de pessoas que, ao sofrerem um Acidente Vascular Encefálico, perderam a fala e com o auxílio de técnicas de reabilitação a recuperaram” exemplifica o médico.

Trabalhar a cognição é investir na capacidade de aprendizado do indivíduo, uma função sincrônica do cérebro que envolve a atenção, a percepção, a memória, o raciocínio, o juízo, a imaginação, o pensamento e a linguagem. É como ensinar novamente o paciente a aprender e, dessa maneira, desenvolver os potenciais ainda existentes.

Pesquisas recentes também associam os hábitos alimentares ao desenvolvimento da doença de Alzheimer. De acordo com a Academia Americana de Neurologia, uma alimentação rica em ômega 3, presente em substâncias como óleo de canola, óleo de linhaça e óleo de nozes, pode reduzir os riscos de Alzheimer em até 60%.

Ou seja, a doença de Alzheimer é uma lacuna no conhecimento sobre a mente humana. Podemos avaliar o que é o processo de degeneração e sua evolução. No entanto, não somos capazes de revertê-lo, apenas retardá-lo parcialmente e temporariamente por meio de atividades e hábitos que estimulam e preservam a saúde dos pacientes.

Doença de Alzheimer
A doença de Alzheimer afeta pessoas em idade avançada, causando a degeneração de partes do cérebro, com destruição celular e redução da reação das células restantes a muitas das substâncias químicas que transmitem sinais no cérebro. Ou seja, o portador perde gradativamente suas capacidades cognitivas, físicas e motoras. Atualmente, cerca de 10% da população mundial acima dos 65 anos sofre da doença de Alzheimer, de acordo com a American Alzheimer’s Association. Aos 85 anos, essa porcentagem é de 50%.
 

Profº Dr. Paulo Renato Canineu professor da pós-graduação
em Gerontologia da PUC-SP, diretor científico do Hiléa, diretor clínico da Aldeia de Emaús Casa de Idosos e vice-presidente da Associação Brasileira de Alzheimer (Abraz).
 

Sobre o Hiléa

O Hiléa, centro de vivência e desenvolvimento para idosos do Brasil, é referência na abordagem não farmacológica como coadjuvante no tratamento de portadores da Doença de Alzheimer. Inspirado nos grandes centros internacionais que estudam os processos degenerativos da mente humana, o Hiléa propõe atividades que estimulam a capacidade cognitiva, por meio de ações que integram os portadores da demência entre si e com a sociedade. A vivência em grupo proporciona uma situação de igualdade entre os demenciados, o que ajuda na compreensão da doença e no convívio com as sua limitações. As atividades culturais monitoradas, em museus, salas de arte, teatros e outros locais que incentivam o exercício da mente, reaproximam o portador da Doença de Alzheimer da sociedade.

Inédito no país, o centro é dotado de tecnologias de conforto e inovações arquitetônicas comportamentais que auxiliam nos tratamentos e procedimentos mais adequados a cada situação, sempre de forma humana e interdisciplinar. O complexo integra - na mesma estrutura - vivência assistida, vivência diária, hospital de apoio, reabilitação, consultórios gerontológicos, convivência e lazer para o residente ou usuário que requeira ou não cuidados médicos.

 





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Direção e Editoria - Irene Serra