Ano 11 - Semana 566


Cálcio
De acordo com o presi-dente da ABRAN, para evi-tar e prevenir osteoporo-se, osteomalácia e raqui-tismo, o consumo de alimentos ricos em cálcio, como peixes, espinafre, agrião, brócolis, couve e outros vegetais de folha-gem verde escura é fundamental.


 

 

   02 de fevereiro, 2008
 

FEBRE AMARELA

Lílian Maial


Estamos diante de alguns casos de febre amarela noticiados amplamente pela mídia, o que vem causando pânico e corrida aos postos de saúde, para vacinação. Isso pode causar situações graves, pois existe uma previsão de abastecimento de vacinas para todo o ano, com margem de folga, inclusive por se tratar de vacina obrigatória para entrada em diversos países, porém uma corrida desenfreada, de uma hora para outra, levaria ao esgotamento do estoque pela vacinação de milhares de pessoas que não estariam em risco, em detrimento das que realmente necessitam da vacina. Sem falar nas contra-indicações formais e nos efeitos colaterais – alguns sérios - a que muitos estariam expostos desnecessariamente, por se tratar de vacina de vírus vivo atenuado.
A febre amarela é uma doença infecciosa aguda, de curta duração (no máximo 10 dias), gravidade variável, causada pelo vírus da febre amarela (gênero flavavírus), que ocorre na América do Sul e na África, com duas formas de expressão: a urbana e a silvestre. No Brasil, ela apareceu, pela primeira vez, em Pernambuco, no ano de 1685.

A forma silvestre ocorre, principalmente, por intermédio de mosquitos do gênero Haemagogus e Sabethes. Uma vez infectada em área silvestre, a pessoa pode, ao retornar, servir como fonte de infecção para o Aedes aegypti (também vetor do dengue), principal transmissor da febre amarela urbana. O Aedes aegypti prolifera-se nas proximidades de habitações, em recipientes que acumulam água limpa e parada, como vasos de plantas, pneus velhos, cisternas etc. Devemos combater os focos de acúmulo de água, locais propícios para a criação do mosquito transmissor da doença.

Modo de transmissãoAedes aegypti
A febre amarela é transmitida pela picada dos mosquitos transmissores  infectados. A fêmea do mosquito pica a pessoa infectada, mantém o vírus  na saliva e o retransmite. A transmissão de pessoa para pessoa não existe.  Não há transmissão pelo contato de um doente ou suas secreções com  uma pessoa sadia, nem fontes de água ou alimento.

Quando há aumento de temperatura, aumenta, conseqüentemente, a quantidade de chuvas e isso tem influência no aumento da população dos mosquitos, que são os vetores da doença.

Sintomas
Os sintomas da febre amarela, em geral, aparecem entre o terceiro e o sexto dia após a picada do mosquito, e consistem em: febre, dor de cabeça, calafrios, náuseas, vômito, dores no corpo, icterícia (a pele e os olhos ficam amarelos) e hemorragias (de gengivas, nariz, estômago, intestino e urina).
As primeiras manifestações são febre alta, mal estar, dor de cabeça, dor muscular, cansaço e calafrios. Podem, ainda, surgir náuseas, vômitos e diarréia. Após três ou quatro dias, a maioria dos doentes (85%) recupera-se completamente e fica permanentemente imunizado contra a doença.
Cerca de 15% dos doentes infectados apresentam sintomas graves, que podem levar à morte. Além da febre, a pessoa pode apresentar dores abdominais, diarréia e vômitos. Surgem icterícia (olhos amarelados, semelhante à hepatite), manifestações hemorrágicas (equimoses, sangramentos no nariz e gengivas) e funcionamento inadequado de órgãos vitais, como fígado e rins. Como conseqüência, pode haver diminuição do volume urinário e até ausência de urina, além de possibilidade de coma. As pessoas que sobrevivem recuperam-se totalmente.

Icterícia
A icterícia é uma coloração amarelada que aparece na pele e nos olhos, uma das características da doença. Existem formas muito leves da doença, que não chegam a formar a icterícia. Já a febre acontece em todas as situações.

Tratamento
Não existe tratamento específico para a febre amarela, apenas sintomático, e requer cuidados na assistência ao paciente, que deve ser hospitalizado, com reposição de líquidos e das perdas sanguíneas, quando indicado. Nas formas graves, o paciente deve ser encaminhado a uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Diagnóstico
É basicamente pelo quadro clínico e histórico do paciente, inicialmente, pela gravidade e necessidade de tratamento imediato, pois o exame para a identificação do vírus no sangue é muito especifico e complexo, e leva cerca de 15 dias para ficar pronto. Há, ainda, a sorologia, que é mais rápida.

Formas Letais
A chance de morte é muito elevada nas formas graves da doença. Mas se considerarmos que a febre amarela tem várias formas de apresentação clínica, a letalidade se reduz a cerca de 10%.

Prevenção
A única forma de evitar a febre amarela é a vacinação.

Vacina
A vacina é gratuita e está disponível nos postos de saúde em qualquer época do ano. Ela deve ser aplicada 10 dias antes da  viagem para as áreas de risco de transmissão da doença.  Pode ser aplicada a partir dos 9 meses e é válida por 10 anos.  É contra-indicada em imunodeprimidos (pessoas com o sistema  imunológico debilitado) e pessoas alérgicas a gema de ovo.  Não existe a necessidade de jejum para tomar a vacina. Não há problema de interação medicamentosa. Não é recomendável  para pessoas que estejam com baixa imunidade, por se tratar de  vírus vivo atenuado.
Para quem esteve doente, depende de avaliação médica.

Ela pode provocar reações adversas, como dor de cabeça, febre e mal estar em algumas pessoas.

Não existem contra-indicações para a vacinação em pessoas portadoras de hipertensão, diabetes, ou outra doença crônica que não comprometa seriamente a imunidade. Imunodeprimidos e pessoas alérgicas a ovo não podem se vacinar. Devem procurar orientação médica. Em caso de não ter como evitar a permanência em áreas silvestres, a pessoa deve reforçar o uso de repelentes.

Gestantes devem ser orientadas por seus obstetras quanto à vacinação.

Bebês podem ser vacinados a partir dos seis meses de idade, quando a criança reside em uma área de risco, em que há casos de febre amarela silvestre. Mas fora dessas situações, o calendário de vacinações indica a partir de nove meses de idade.

Segurança
A vacina assegura 100%% de imunização, após o décimo dia de aplicação. Essa proteção dura 10 anos, mas não há problema em repetir a vacina, caso faltem dois meses para vencer os 10 anos.

Pessoas que farão viagens internacionais e não tomaram vacina antecipadamente podem ser impedidas de viajar, se o país para o qual elas se dirigem exige a vacinação. A publicação da lista de países que exigem a vacinação é atualizada anualmente na pagina da OMS e também na ANVISA.

Se a pessoa perdeu o cartão de vacinação, ela pode ir ao posto se vacinar. Há registros, em casos de viagens internacionais, nos postos onde se vacinou.

Não há venda da vacina particular.

 

Lílian Maial é médica gastroenterologista
RJ
Fonte: Assessoria de Comunicação Social/Divisão de Imprensa - Ministério da Saúde

 


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Direção
IRENE SERRA
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