VACINA CONTRA A GRIPE NÃO É APENAS PARA IDOSOS
CRIANÇAS, JOVENS E ADULTOS TAMBÉM PRECISAM SER
PROTEGIDOS
Por
conta do sistema imunológico frágil, as crianças são
os maiores disseminadores da gripe na família e na
comunidade.
No sábado, 26 de abril, começa a Campanha Nacional de
Imunização de Idosos contra a gripe. Mas a vacina não
é indicada apenas para quem tem mais de 60 anos.
Pessoas de todas as faixas etárias devem se proteger
contra esta doença que, todos os anos, atinge de 10 a
20% da população, gerando milhares de internações e
até 500 mil mortes no mundo. As gestantes têm cinco
vezes mais chances de desenvolver pneumonia derivada
da gripe, do que o restante da população. Por conta do
sistema imunológico frágil, as crianças demoram mais
tempo para expelir o vírus da gripe do que os adultos
e, por isso, são os maiores disseminadores da doença
na família e na comunidade.
“O programa brasileiro de vacinação é um fato de
grande relevância porque conseguiu atingir 70% dos
idosos em 96% dos municípios. Agora, é importante
iniciar a imunização de crianças entre seis meses a
cinco anos”, afirma o médico Eitan Berezin, Chefe de
Infectologia Pediatria da Faculdade de Ciências
Médicas da Santa Casa de São Paulo (FCMSCSP) e
Presidente de Infectologia da Sociedade Brasileira de
Pediatria.
Estudo inédito da Faculdade de Ciências Médicas da
Santa Casa de São Paulo, comandado por Eitan Berezin,
detectou que as doenças virais foram responsáveis por
38% das 460 crianças internadas entre 2005 e 2006 com
problemas respiratórios. Em 4% dos casos, foi
detectada a presença do vírus Influenza. “Como para os
outros vírus não há vacina, as internações por gripe
poderiam ter sido evitadas, caso essas crianças
tivessem sido imunizadas”, afirma o médico.
Desde meados de abril, as clínicas médicas e
particulares de todo o Brasil já têm disponíveis a
nova vacina contra gripe. Como o vírus Influenza é
mutante, as doses estão atualizadas de acordo com os
três subtipos (cepas) circulantes no hemisfério sul:
A/Solomon Islands/3/2006, A/Brisbane/10/2007 e B/Brisbane/3/2007.
Esses subtipos do vírus foram identificados pela rede
de vigilância epidemiológica coordenada pela
Organização Mundial da Saúde (OMS), que inclui o
Brasil.
De acordo com o Datasus, a gripe provocou em 2005
perto de 1,5 milhão de internações e 75 mil mortes no
Brasil. Idosos, pessoas com doenças crônicas e as
crianças são as mais vulneráveis à gripe e suas
complicações – como pneumonia, infecção no ouvido
(otite) e inflamação nos brônquios (bronquite). A
doença atinge uma a cada três crianças. Nos adultos,
esta proporção é de um contaminado para dez.
GRUPOS DE RISCO
No Brasil, a Sociedade Brasileira de Pediatria
recomenda a vacinação de crianças entre seis meses a
dois anos. Já a SBIm - Sociedade Brasileira de
Imunizações considera este grupo prioritário e
preconiza, se possível, que a vacinação se estenda
para jovens de até 18 anos.
“A criança elimina o vírus da gripe por até dez dias
após o contágio. No adulto, este período é de uma
semana”, explica a pediatra Isabella Ballalai,
vice-presidente da SBIm. Anos atrás, o Japão decidiu
vacinar alunos da rede escolar, resultando na queda de
incidência da doença nas crianças e nos idosos.
Estudo realizado nos Estados Unidos acompanhou 1.462
crianças de seis meses a 14 anos e suas famílias por
duas temporadas de gripe seguidas. As gripadas
contaminaram 31,2% dos irmãos menores de cinco anos e
18,8% acima desta faixa etária. Na época de maior
circulação do vírus, a doença causou 50% das doenças
respiratórias agudas e febris e 25% das consultas
ambulatoriais.
A infecção pelo vírus da gripe pode piorar o estado de
saúde de grupos de pessoas portadoras de doenças
crônicas, como os cardiopatas, diabéticos e
imunocomprometidos., levando até a morte. No Brasil, a
vacina está disponível gratuitamente para estes grupos
de risco nos Centros de Referência de Imunobiológicos
especiais (CRIEs).
GRIPE, RESFRIADO E DENGUE
O impacto da gripe na população é muito maior do que
se imagina porque tem sintomas semelhantes a de outras
viroses – dor de cabeça, tosse, dor de garganta,
febre, dor no corpo, mal-estar, cansaço. As doenças
respiratórias mais confundidas com a gripe são o
resfriado e viroses provocadas pelos vírus
parainfluenza, sincicial respiratório e adenovírus. A
gripe é mais intensa e duradoura que o resfriado. A
febre tem início súbito e são comuns as queixas de dor
de garganta, dor de cabeça, cansaço e dores
musculares.
Para comprovar o subdiagnóstico da gripe,
pesquisadores norte-americanos acompanharam mais de
4.500 crianças internadas ou atendidas em
pronto-socorros com problemas respiratórios. Todas
essas crianças tiveram testes laboratoriais com
resultado positivo para o vírus Influenza. Entretanto,
apenas 28% das internadas e 17% das atendidas em
pronto-socorros tiveram o diagnóstico para a gripe. A
maioria dos diagnósticos foi de que as crianças tinham
infecção viral não-específica.
Com a epidemia da dengue e a chegada da temporada de
gripe, esta confusão tende a aumentar. A
infectologista Nancy Bellei, professora e coordenadora
do Setor de Viroses respiratórias da Unifesp, afirma
que para o leigo é difícil diferenciar uma doença da
outra, porque no primeiro dia os sintomas são
parecidos: febre, dor no corpo e dor de cabeça. “Mas,
no segundo dia, quem tem gripe tende a apresentar
tosse, porque a gripe é uma doença respiratória”,
afirma a médica, que também é coordenadora científica
do Grog – Grupo Regional de Observação da Gripe.
A médica alerta ainda que a gripe, ao contrário do
resfriado, pode gerar complicações que atingem não só
os idosos, como adultos saudáveis. Ela lembra ainda
que as gestantes têm cinco vezes mais chances do que o
restante da população para ter pneumonia derivada da
gripe. Nos Estados Unidos, o American College of
Obstericians and Gynecologists recomenda a vacinação
contra a gripe como parte do programa pré-natal para a
proteção da mãe e do bebê. Inclusive, pesquisa recente
demonstrou que recém-nascidos de mulheres vacinadas
durante a gestação são menos vulneráveis à gripe
porque receberam os anticorpos maternos contra a
doença.
A asma é uma das doenças mais comuns na infância.
Embora não sejam incluídos nos grupos de risco, os
asmáticos podem ter crises desencadeadas por infecções
virais, como a gripe. De acordo com a médica Cristina
Jacob, do Instituto da Criança do Hospital das
Clínicas da USP, estudos científicos revelam que entre
30 a 80% das crises de asma são desencadeadas por
vírus respiratórios como o Influenza, o sincicial, o
parainfluenza e o adenovírus. Desses vírus, o único
para o qual existe vacina é o Influenza, causador da
gripe. Apesar de a vacina ser segura e dar proteção
efetiva contra a gripe, menos 30% das crianças
asmáticas chegam a ser vacinadas.
Nancy Bellei argumenta que o subdiagnóstico leva ao
consumo inútil de antibióticos, que potencializam a
resistência destes microorganismos a este tipo de
medicamento e pode causar outros danos como alergias,
alteração da flora intestinal e aumento de infecções
causadas por fungos como micoses e candidíase,
corrimento esbranquiçado nas mulheres. “Quando tomado
sem necessidade, o antibiótico pode provocar efeitos
colaterais como gastrite medicamentosa e diarréia. Sem
falar, é claro, no desperdício de dinheiro”,
complementa.
VACINA PARA CRIANÇAS E ADULTOS
Até os nove anos, a criança requer duas doses da
vacina contra a gripe na primeira vez que for
vacinada, porque seu sistema imunológico precisa de
mais estímulos para produzir anticorpos suficientes
contra o vírus Influenza. Já no adulto, basta uma
dose. A Sanofi Pasteur é a única fabricante que dispõe
de uma apresentação especial para crianças de seis
meses a três anos. A vacina já vem pronta para uso -
100% dentro da seringa. Esta apresentação garante a
aplicação da dose certa para esta faixa etária, que é
metade da recomendada para adultos. Por isso reduz as
chances de ocorrer reações adversas – como
vermelhidão, dor e endurecimento da pele -, que
acontecem quando a dose aplicada excede à indicada.
Também assegura a eficácia da vacina, problema que
pode surgir quando é aplicada uma dose menor que a
indicada.
Importada da França, a vacina produzida pela Sanofi
Pasteur é segura e bem tolerada. “A vacina não contém
vírus vivos e, portanto, não causa a gripe. Ela
apresenta ótima tolerância, com baixos índices de
reações adversas", afirma a gerente-médica da Sanofi
Pasteur, Lucia Bricks.
Como são necessárias duas semanas para que o organismo
produza anticorpos contra o vírus, a vacina deve ser
administrada antes do início da circulação do
Influenza. “A vacina não pode ser aplicada em bebês
menores de seis meses. Por isso, a melhor forma de
proteger essas crianças é vacinar todos os que estão
próximos: pais, irmãos e cuidadores”, explica a
médica. “Quanto maior o número de vacinados, menor a
circulação no vírus na comunidade. As elevadas
coberturas vacinais induzem a imunidade coletiva e
proporcionam proteção indireta para os não-vacinados e
a pessoas doentes, que apresentam menor resposta à
vacina”, complementa.
Líder mundial na pesquisa e produção de vacinas, a
Sanofi Pasteur é a divisão de vacinas do grupo Sanofi
Aventis. Por meio de acordo com o governo brasileiro,
a Sanofi Pasteur transferiu a tecnologia da produção
da vacina contra gripe para o Instituto Butantan. De
2000 até 2007, foi responsável pelo fornecimento anual
de cerca de todas as doses utilizadas na Campanha
Nacional de Imunização de Idosos e demais grupos de
risco. Só o ano passado, foram cerca de 20 milhões de
doses. Em 2008, a Sanofi Pasteur continua dando
suporte técnico para o Instituto Butantan.