Ano 11 - Semana 578


Aumento da expectativa de vida resulta em dimi-nuição da fertilidade

“Quando se tem uma família grande, menores são os investimentos em cada filho. O que se vê, hoje, são os casais inves-tindo mais em menor número de filhos. Além disso, o ambiente compe-titivo, em que se faz enorme esforço para manter casamento e em-prego, também contribui para a redução dos nas-cimentos”, diz a antropó-loga britânica Ruth Mace, professora da Universi-dade de Londres.

Na opinião da especialista brasileira em reprodução humana, Silvana Chedid, uma das grandes ques-tões da atualidade é o adiamento da gravidez. “As incertezas pessoais e profissionais realmente pesam muito na decisão de ter filhos. Muitos ca-sais têm adiado a che-gada do bebê, mesmo cientes de que, quanto mais adiarem a concep-ção, tanto homens quanto mulheres devem encon-trar mais dificuldades, que poderão ser resol-vidas com tratamentos apropriados”.

A especialista aponta as novas tecnologias como uma “segurança a mais” no adiamento da ges-tação. “Se há algum tem-po atrás era muito arris-cado ter um filho aos 40, hoje esse limite está bas-tante elástico. É possível uma mulher beirando os 50 ou 60 anos engravidar, desde que ela receba acompanhamento durante toda a gestação e não tenha problemas graves, como doenças do coração, hipertensão arterial e diabetes.”

Segundo a Dra. Silvana, o relógio biológico do ovário difere do relógio biológico do aparelho reprodutivo, bastando um monitora-mento cuidadoso durante o pré-natal. “Estudos indi-cam que, quanto mais passa o tempo, maior é a predisposição feminina para cesarianas, desen-volvimento de doenças como o diabetes gesta-cional ou mesmo hiper-tensão arterial. Com rela-ção a outros sintomas, nada que não sejam na-turais à sua faixa etária”.
(Dra. Silvana Chedid é médica ginecologista, chefe do setor de Repro-dução Humana do Hos-pital Beneficência Portu-guesa (SP).


 

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     26 de abril, 2008
 

VACINA CONTRA A GRIPE NÃO É APENAS PARA IDOSOS

CRIANÇAS, JOVENS E ADULTOS TAMBÉM PRECISAM SER PROTEGIDOS



Por conta do sistema imunológico frágil, as crianças são os maiores disseminadores da gripe na família e na comunidade.

No sábado, 26 de abril, começa a Campanha Nacional de Imunização de Idosos contra a gripe. Mas a vacina não é indicada apenas para quem tem mais de 60 anos. Pessoas de todas as faixas etárias devem se proteger contra esta doença que, todos os anos, atinge de 10 a 20% da população, gerando milhares de internações e até 500 mil mortes no mundo. As gestantes têm cinco vezes mais chances de desenvolver pneumonia derivada da gripe, do que o restante da população. Por conta do sistema imunológico frágil, as crianças demoram mais tempo para expelir o vírus da gripe do que os adultos e, por isso, são os maiores disseminadores da doença na família e na comunidade.

“O programa brasileiro de vacinação é um fato de grande relevância porque conseguiu atingir 70% dos idosos em 96% dos municípios. Agora, é importante iniciar a imunização de crianças entre seis meses a cinco anos”, afirma o médico Eitan Berezin, Chefe de Infectologia Pediatria da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (FCMSCSP) e Presidente de Infectologia da Sociedade Brasileira de Pediatria.

Estudo inédito da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, comandado por Eitan Berezin, detectou que as doenças virais foram responsáveis por 38% das 460 crianças internadas entre 2005 e 2006 com problemas respiratórios. Em 4% dos casos, foi detectada a presença do vírus Influenza. “Como para os outros vírus não há vacina, as internações por gripe poderiam ter sido evitadas, caso essas crianças tivessem sido imunizadas”, afirma o médico.

Desde meados de abril, as clínicas médicas e particulares de todo o Brasil já têm disponíveis a nova vacina contra gripe. Como o vírus Influenza é mutante, as doses estão atualizadas de acordo com os três subtipos (cepas) circulantes no hemisfério sul: A/Solomon Islands/3/2006, A/Brisbane/10/2007 e B/Brisbane/3/2007. Esses subtipos do vírus foram identificados pela rede de vigilância epidemiológica coordenada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que inclui o Brasil.

De acordo com o Datasus, a gripe provocou em 2005 perto de 1,5 milhão de internações e 75 mil mortes no Brasil. Idosos, pessoas com doenças crônicas e as crianças são as mais vulneráveis à gripe e suas complicações – como pneumonia, infecção no ouvido (otite) e inflamação nos brônquios (bronquite). A doença atinge uma a cada três crianças. Nos adultos, esta proporção é de um contaminado para dez.

GRUPOS DE RISCO

No Brasil, a Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda a vacinação de crianças entre seis meses a dois anos. Já a SBIm - Sociedade Brasileira de Imunizações considera este grupo prioritário e preconiza, se possível, que a vacinação se estenda para jovens de até 18 anos.

“A criança elimina o vírus da gripe por até dez dias após o contágio. No adulto, este período é de uma semana”, explica a pediatra Isabella Ballalai, vice-presidente da SBIm. Anos atrás, o Japão decidiu vacinar alunos da rede escolar, resultando na queda de incidência da doença nas crianças e nos idosos.

Estudo realizado nos Estados Unidos acompanhou 1.462 crianças de seis meses a 14 anos e suas famílias por duas temporadas de gripe seguidas. As gripadas contaminaram 31,2% dos irmãos menores de cinco anos e 18,8% acima desta faixa etária. Na época de maior circulação do vírus, a doença causou 50% das doenças respiratórias agudas e febris e 25% das consultas ambulatoriais.

A infecção pelo vírus da gripe pode piorar o estado de saúde de grupos de pessoas portadoras de doenças crônicas, como os cardiopatas, diabéticos e imunocomprometidos., levando até a morte. No Brasil, a vacina está disponível gratuitamente para estes grupos de risco nos Centros de Referência de Imunobiológicos especiais (CRIEs).

GRIPE, RESFRIADO E DENGUE

O impacto da gripe na população é muito maior do que se imagina porque tem sintomas semelhantes a de outras viroses – dor de cabeça, tosse, dor de garganta, febre, dor no corpo, mal-estar, cansaço. As doenças respiratórias mais confundidas com a gripe são o resfriado e viroses provocadas pelos vírus parainfluenza, sincicial respiratório e adenovírus. A gripe é mais intensa e duradoura que o resfriado. A febre tem início súbito e são comuns as queixas de dor de garganta, dor de cabeça, cansaço e dores musculares.

Para comprovar o subdiagnóstico da gripe, pesquisadores norte-americanos acompanharam mais de 4.500 crianças internadas ou atendidas em pronto-socorros com problemas respiratórios. Todas essas crianças tiveram testes laboratoriais com resultado positivo para o vírus Influenza. Entretanto, apenas 28% das internadas e 17% das atendidas em pronto-socorros tiveram o diagnóstico para a gripe. A maioria dos diagnósticos foi de que as crianças tinham infecção viral não-específica.

Com a epidemia da dengue e a chegada da temporada de gripe, esta confusão tende a aumentar. A infectologista Nancy Bellei, professora e coordenadora do Setor de Viroses respiratórias da Unifesp, afirma que para o leigo é difícil diferenciar uma doença da outra, porque no primeiro dia os sintomas são parecidos: febre, dor no corpo e dor de cabeça. “Mas, no segundo dia, quem tem gripe tende a apresentar tosse, porque a gripe é uma doença respiratória”, afirma a médica, que também é coordenadora científica do Grog – Grupo Regional de Observação da Gripe.

A médica alerta ainda que a gripe, ao contrário do resfriado, pode gerar complicações que atingem não só os idosos, como adultos saudáveis. Ela lembra ainda que as gestantes têm cinco vezes mais chances do que o restante da população para ter pneumonia derivada da gripe. Nos Estados Unidos, o American College of Obstericians and Gynecologists recomenda a vacinação contra a gripe como parte do programa pré-natal para a proteção da mãe e do bebê. Inclusive, pesquisa recente demonstrou que recém-nascidos de mulheres vacinadas durante a gestação são menos vulneráveis à gripe porque receberam os anticorpos maternos contra a doença.

A asma é uma das doenças mais comuns na infância. Embora não sejam incluídos nos grupos de risco, os asmáticos podem ter crises desencadeadas por infecções virais, como a gripe. De acordo com a médica Cristina Jacob, do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas da USP, estudos científicos revelam que entre 30 a 80% das crises de asma são desencadeadas por vírus respiratórios como o Influenza, o sincicial, o parainfluenza e o adenovírus. Desses vírus, o único para o qual existe vacina é o Influenza, causador da gripe. Apesar de a vacina ser segura e dar proteção efetiva contra a gripe, menos 30% das crianças asmáticas chegam a ser vacinadas.

Nancy Bellei argumenta que o subdiagnóstico leva ao consumo inútil de antibióticos, que potencializam a resistência destes microorganismos a este tipo de medicamento e pode causar outros danos como alergias, alteração da flora intestinal e aumento de infecções causadas por fungos como micoses e candidíase, corrimento esbranquiçado nas mulheres. “Quando tomado sem necessidade, o antibiótico pode provocar efeitos colaterais como gastrite medicamentosa e diarréia. Sem falar, é claro, no desperdício de dinheiro”, complementa.

VACINA PARA CRIANÇAS E ADULTOS

Até os nove anos, a criança requer duas doses da vacina contra a gripe na primeira vez que for vacinada, porque seu sistema imunológico precisa de mais estímulos para produzir anticorpos suficientes contra o vírus Influenza. Já no adulto, basta uma dose. A Sanofi Pasteur é a única fabricante que dispõe de uma apresentação especial para crianças de seis meses a três anos. A vacina já vem pronta para uso - 100% dentro da seringa. Esta apresentação garante a aplicação da dose certa para esta faixa etária, que é metade da recomendada para adultos. Por isso reduz as chances de ocorrer reações adversas – como vermelhidão, dor e endurecimento da pele -, que acontecem quando a dose aplicada excede à indicada. Também assegura a eficácia da vacina, problema que pode surgir quando é aplicada uma dose menor que a indicada.

Importada da França, a vacina produzida pela Sanofi Pasteur é segura e bem tolerada. “A vacina não contém vírus vivos e, portanto, não causa a gripe. Ela apresenta ótima tolerância, com baixos índices de reações adversas", afirma a gerente-médica da Sanofi Pasteur, Lucia Bricks.

Como são necessárias duas semanas para que o organismo produza anticorpos contra o vírus, a vacina deve ser administrada antes do início da circulação do Influenza. “A vacina não pode ser aplicada em bebês menores de seis meses. Por isso, a melhor forma de proteger essas crianças é vacinar todos os que estão próximos: pais, irmãos e cuidadores”, explica a médica. “Quanto maior o número de vacinados, menor a circulação no vírus na comunidade. As elevadas coberturas vacinais induzem a imunidade coletiva e proporcionam proteção indireta para os não-vacinados e a pessoas doentes, que apresentam menor resposta à vacina”, complementa.

Líder mundial na pesquisa e produção de vacinas, a Sanofi Pasteur é a divisão de vacinas do grupo Sanofi Aventis. Por meio de acordo com o governo brasileiro, a Sanofi Pasteur transferiu a tecnologia da produção da vacina contra gripe para o Instituto Butantan. De 2000 até 2007, foi responsável pelo fornecimento anual de cerca de todas as doses utilizadas na Campanha Nacional de Imunização de Idosos e demais grupos de risco. Só o ano passado, foram cerca de 20 milhões de doses. Em 2008, a Sanofi Pasteur continua dando suporte técnico para o Instituto Butantan.

 


Direção
IRENE SERRA
irene@riototal.com.br

 

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