Ano 13 - Semana 699



Dores nas costas
Sua coluna vertebral ne-cessita de alguns cui-dados. Durante a rotina dos trabalhos diários não esqueça de manter a boa postura. Ela é uma saída para evitar as dores provenientes dos vícios posturais. Pais e professores devem ser os grandes responsáveis pela correta orientação das crianças em casa e na sala de aula. O simples ato de sentar de forma incorreta pode sobrecarregar os múscu-los das costas.
 

 

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      28 de agosto, 2010
 

Câncer de Próstata

Dr. Wilson Bachega Jr.

Antes de falar especificamente sobre este assunto, gostaria de inicialmente fazer algumas observações.
Quando pergunto a alguma pessoa que nunca estudou anatomia onde fica a próstata, dificilmente recebo uma resposta afirmativa. Alguns dizem que provavelmente fica dentro do ânus e ela dificulta a passagem da urina, outros já dizem que a próstata é uma doença que surge em pessoas de idade.

Portanto, antes de falar sobre o câncer da próstata, falarei de uma forma simples e resumida o que é a próstata, onde fica e posteriormente sobre o tema proposto.

próstataA próstata é uma glândula, localizada na saída da bexiga, por onde atravessa a primeira porção da uretra, que é o canal que leva a urina da bexiga para o meio externo. A próstata contribui para a formação do líquido seminal, que é a maior parte do líqüido liberado junto com a ejaculação portanto a uretra do homem além de ser a passagem de urina, por ela também pode passar o líquido seminal juntamente com os espermatozóides vindos do testículo.

Pode-se distinguir na próstata uma porção glandular e central, que é por onde passa a uretra, e outra predominantemente fibrosa, que envolve a glândula, chamada de cápsula.

Dentre várias doenças que podem acometer a próstata, vou falar sobre a hiperplasia benigna e o câncer da próstata, pois freqüentemente estaremos fazendo comentários para diferenciar uma da outra.

A hiperplasia benigna de próstata corresponde ao aumento tumoral da própria glândula, pela ação hormonal da testosterona (um hormônio produzido principalmente pelo testículo), ocasiona geralmente uma obstrução da uretra prostática (que atravessa a próstata), com diminuição do jato da urina e dificuldade para urinar.

O câncer também produz um aumento tumoral da próstata, com os mesmos sintomas, porém com algumas características: a célula cancerosa possui um comportamento aberrante, isto é ela não respeita as características de uma célula normal, tais como: a célula cancerosa não sabe quando deve parar de se multiplicar, esta também é uma característica dos tumores benignos, porém a célula cancerosa não respeita os seus limites. Invade órgãos que estão localizados na sua vizinhança e ainda perde a capacidade de aderência entre elas, por exemplo, se você puxar a pele de sua mão, após solta ela volta ao normal, já se fosse um tumor maligno se fragmentaria. Deste forma o tumor maligno quando banhado pelo sangue ou pela linfa pode desprender fragmentos que atingem a circulação venosa ou linfática e se implantar em outras regiões ou órgãos distantes do tumor de origem, isto que é chamado de metástase.

Portanto a hiperplasia benigna da próstata é considerada um tumor benigno, onde o tecido cresceu além do normal, já o câncer da próstata além de crescer mais que o normal pode invadir órgãos e tecidos vizinhos e produzir metástases.

Esta diferença é fundamental para se avaliar e tratar uma ou outra doença, tendo em vista que dificilmente alguém morre devido a uma hiperplasia benigna de próstata, já o câncer, se não for tratado adequadamente e na sua fase inicial este fato torna-se possível.

Como então reconhecer que alguém com dificuldade de urinar é portador de uma hiperplasia benigna ou câncer da próstata? E ainda, é possível uma pessoa que não sente nada e ser portadora câncer? Algumas vezes esta diferenciação é extremamente difícil, sendo necessário a realização de repetidos exames e um seguimento periódico em caso de dúvida.

O câncer da próstata é raro antes dos 50 anos de Idade. Após o câncer de pele é o mais freqüente nos Estados Unidos, onde são estimados 122.000 casos novos por ano, com 75,3 casos para cada 100.000 homens e uma mortalidade de 22,7 para cada 100.000 homens, representando uma perda de nove anos na expectativa de vida desta população.

Além dos sintomas de dificuldade para urinar, outros podem estar presentes, tais como perda de peso, dor óssea, fraturas ósseas por traumatismos simples e outros. Através de um exame de toque retal realizado por um médico experiente para avaliar esta doença, é grande a chance de acerto em relação ao diagnóstico. Porém nas fases iniciais apenas com o toque, o diagnóstico pode não ser tão preciso, necessitando de exames complementares para se obter este diagnóstico.

A próstata elimina uma substância que não é produzida por nenhum outro órgão, sendo possível ser dosada na circulação. Seu nome é antígeno prostático específico, conhecida como PSA (que é a tradução para a língua inglesa).

O PSA possui o seu valor correlacionado pela quantidade de tecido prostático, isto é, quanto maior a próstata maior é o PSA, sendo assim, se existir tecido prostático em outras regiões (metástases) maior também será o PSA. A célula cancerosa produz mais PSA do que uma célula prostática normal, desta forma se avaliarmos o tamanho da próstata teríamos um valor esperado, se o valor deste PSA estiver muito elevado provavelmente não se trata de uma hiperplasia benigna.

Deve-se tomar cuidado ao se interpretar o valor do PSA, sempre fazendo correlação com o tamanho da próstata, evitando fazer dosagens após manipulação da próstata, como toque retal, biópsias, passagem de sonda vesical, exames endoscópicos, etc..

Outra situação onde o PSA pode estar elevado é na presença de processo inflamatório como a prostatite.

O ultra-som da próstata é um exame importante na avaliação dos tumores da próstata, principalmente se for realizado via transretal, pois é possível se tocar a superfície da próstata com o aparelho. Este exame possui um grande valor na avaliação de modulações chamadas hipoecogênicas, que são as suspeitas, possibilitando a realização de biópsias dirigidas na presença destas lesões. Além disto pode fornecer informações a respeito do volume da próstata e também, na presença de tumores, avaliar se há comprometimento de tecidos ou órgãos vizinhos.

O diagnóstico do câncer de próstata deve ser confirmado com biópsia sempre que possível, sendo positivo como Adenocarcinoma de próstata, o próximo passo será avaliar qual a extensão do comprometimento da doença, isto é o que se denomina de estadiamento, que é realizado através de uma série de exames como mapeamento ósseo, ultra-sonografia abdominal e procedimentos cirúrgicos para avaliação dos gânglios linfáticos pélvicos caso seja necessário.

Não se deve confundir o tratamento para hiperplasia benigna da próstata com o do câncer. O objetivo do tratamento do tumor benigno é o de remover a parte da próstata que está obstruindo a passagem da urina, que é somente a porção central da próstata. O tratamento para o câncer da próstata vai depender da fase que se encontra a doença, isto é, do estadiamento. Para o planejamento do tratamento., podemos separar os portadores desta doença em três grupos de acordo com o grau de comprometimento em: local, localmente avançado e doença avançada ou metastática.

Os pacientes que possuem a doença local, isto é, restrita à próstata, poderão optar por duas formas de tratamento, a cirurgia radical ou a radioterapia e a opção será feita pelo médico, juntamente com o paciente.

A doença é classificada como localmente avançada quando além da próstata, os tecidos ou órgãos, vizinhos estiverem comprometidos. Nesta fase, a cirurgia já não é capaz de remover a doença com segurança, sendo portanto a opção única a radioterapia. Quando outro órgão a distância ou linfonodo está comprometido a doença é considerada avançada ou metastática, neste caso o tratamento deve ser realizado de uma forma sistêmica. Como já foi dito, a célula da próstata necessita do hormônio testosterona para sua multiplicação e o tratamento nesta fase está baseado neste princípio, pois sem a presença deste hormônio a célula não se divide e o tumor regride após a morte desta célula. Entretanto a célula cancerosa possui um comportamento aberrante e algumas podem sofrer uma modificação tão importante a ponto de não mais depender deste hormônio para sua divisão, o tumor pode crescer sem que haja nenhum tratamento efetivo nos dias de hoje.

Respondendo a questão se é possível ser portador de um câncer de próstata sem apresentar nenhuma sintomatologia, a resposta é sim, principalmente nas fases iniciais, onde a cura com um tratamento bem orientado é possível.

Portanto estamos diante de uma doença com uma alta incidência, que pode evoluir para a morte se não tratada adequadamente.

Freqüentemente não apresenta sintomatologia nas fases iniciais e é neste momento que o tratamento produz melhores resultados. A prevenção seria a única alternativa para se identificar a doença na fase inicial. Porém sua prática é muito discutível, pois o custo para implantação a toda população masculina seria economicamente inviável.

A evolução do câncer de próstata é lenta, muitas vezes o portador desta doença acaba falecendo por outras causas. Uma alternativa que está sendo avaliada é de se fazer exames preventivos em pessoas que apresentam fatores de risco para esta doença, tais como idade acima de 50 anos, presença de familiares portadores de câncer em especial câncer de próstata.


Metástase: A presença de câncer em outros tecidos ou órgãos à distância do tumor primário. A metástase é uma característica de todos os cânceres. Se dá através do sistema circulatório (sanguíneo e linfático). Na cavidade do abdômen e tórax acontece através da implantação das células tumorais.




Dr. Wilson Bachega Jr é
Médico titular do Serviço de Urologia do Departamento de Cirurgia Pélvica do Hospital do Câncer
- AC Camargo




 


Direção e Editoria - Irene Serra