Ano 13 - Semana 692



Lavar as mãos

A prática de lavar as mãos é algo que se aprende desde cedo na escola. Mas, na maioria das vezes, as pessoas não valorizam esse hábito tão importante. Doenças como gripe, res-friado, conjuntivite e diarréia infecciosa podem ser evitadas com a prá-tica da higienização das mãos.

O assunto ganhou desta-que no ano passado de-pois que Influenza A sur-giu como uma ameaça à saúde mundial. A OMS tratou de intensificar os avisos sobre a impor-tância de se manter as mãos sempre limpas.

No último dia 5 de maio, foi celebrado o “Dia Mun-dial de Higienização das Mãos”, além de diversas atividades promovidas para sensibilizar as pessoas pelo mundo, no Brasil, em parceria com a Anvisa, a OMS desenvol-veu uma campanha para conscientizar de que o hábito pode prevenir infecções hospitalares.

Manter as mãos limpas é uma prática que precisa ser seguida por todos, mas quando se está no trabalho ou simplesmen-te longe de casa não é fácil fazê-lo. Conside-rando o fator praticidade, quem não tem tempo de lavar as mãos constante-mente pode optar pelo uso do álcool gel, que passou a ser utilizado com assiduidade em função da gripe H1N1.
Apesar de prático, o álcool gel possui uma desvantagem, o resseca-mento das mãos.

 


 

 

       10 de julho, 2010
 

Transposição do rio São Francisco pode aumentar
a incidência de esquistossomose
no semiárido nordestino


Interligação de bacias hidrográficas facilitará a transmissão da doença na região. Assunto será discutido na 62ª Reunião Anual da SBPC.


A integração das bacias hidrográficas do semiárido nordestino, com a transposição do rio São Francisco, pode contribuir para o aumento da incidência de esquistossomose na região. Ao interligar o “velho Chico” a pequenos rios de estados do nordeste, há o risco de espécies do caramujo transmissor da doença migrarem pela água para locais onde ainda não estavam presentes e darem origem a novos criadouros, alerta o professor de parasitologia da Universidade Federal do Ceará (UFC) Fernando Schemelzer Moraes Bezerra.

“O Ceará só tem uma das três espécies do caramujo transmissor da doença, a Biomphalaria straminea”, diz. “O nosso temor é que outra espécie muito mais nociva do molusco, a Biomphalaria glabrata, que está presente em outros estados do nordeste, seja introduzida no Ceará por meio do projeto de transposição do rio São Francisco”, conta. O especialista abordará esse assunto em uma conferência que fará na 62ª Reunião Anual da SBPC – evento que a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) realizará de 25 a 30 de julho em Natal (RN).

De acordo com Bezerra, além de facilitar a migração das espécies do caramujo transmissor da esquistossomose, a falta de saneamento básico adequado nos municípios por onde passarão os dois canais de integração das bacias hidrográficas do projeto é outro fator que deverá agravar a disseminação da doença no semiárido nordestino. O canal do eixo norte, por exemplo, que levará água para os sertões de Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte, foi todo traçado sobre zonas rurais, onde os moradores costumam utilizar a água não tratada de rios e açudes para suas necessidades básicas. Em função disso, podem se transformar em novos focos de transmissão da doença, cujas principais causas são a falta de saneamento básico adequado e de educação sanitária.

Para estimar os possíveis impactos à saúde causados pelo projeto na região, uma equipe de pesquisadores integrada por Bezerra percorrerá todo o canal do eixo norte para fazer um levantamento de quais municípios apresentam maior probabilidade de propagação da doença. Segundo informações do Ministério da Saúde, dos 44 municípios do semiárido nordestino por onde passará o canal de integração do eixo norte, seis já tiveram casos confirmados de esquistossomose e em quatro foi observada a presença de espécies do caramujo transmissor, mas não houve registro de ocorrência da doença.

Ações de saúde – Na opinião de Bezerra, o projeto de transposição do rio São Francisco trará benefícios para o semiárido nordestino, em termos de aumento da disponibilidade de água na região, que possui somente 3% do recurso no País. Mas aponta que um empreendimento desse porte deveria contemplar ações para mitigar os impactos que causará à saúde da população.

“Quando se aumenta a disponibilidade de água em uma determinada região, como acontecerá no semiárido nordestino, também cresce o risco de doenças de veiculação hídrica, como a esquistossomose”, explica. “É preciso levar em conta os investimentos que devem ser feitos na área da saúde dos municípios onde os canais passarão para garantir assistência médica à população, caso ocorra um aumento do número de casos de doenças”, alerta.

De acordo com o especialista, na descrição do projeto há uma afirmação muito superficial de que não faltarão recursos para minimizar os impactos à saúde, mas não é especificado o volume de recursos e de que forma serão disponibilizados. O pesquisador também lamenta a falta de coordenação entre o Ministério da Integração, que está à frente do projeto, com o Ministério da Saúde, para definir quais as ações de saúde serão implementadas, e de uma melhor discussão do projeto do ponto de vista da saúde pública.


Sobre a esquistossomose:

A esquistossomose é uma doença grave causada, no Brasil, pelo parasita Schistosoma mansoni, que tem no homem seu hospedeiro definitivo e nos caramujos seus hospedeiros intermediários. As pessoas são contaminadas pelo verme quando plantam, lavam roupa, nadam ou se banham em rios, riachos, valas de irrigação e lagoas contaminados. A liberação de seus ovos na água ocorre pelas fezes do homem infectado. Em contato com a água, os ovos eclodem e libertam larvas que se alojam nos caramujos que, por sua vez, liberam novas larvas que infectam as águas e, posteriormente, o homem, por meio da pele ou mucosa.

A doença atinge principalmente moradores de zona rurais. A maioria das pessoas não apresenta sintomas na fase inicial da infecção. Dependendo da fase da doença, alguns sintomas da doença são: diarréia, febre, tosse, moleza no corpo, prisão de ventre, dores abdominais e tonturas. Não há formas de erradicação da doença, mas é possível diminuir os riscos de transmissão por meio de melhorias no saneamento básico.



 


Direção e Editoria - Irene Serra