Ano 13 - Semana 688



Hebiatria
é uma especia-lização da medicina que possui a atenção voltada aos adolescentes. A es-pecialidade começou a ganhar mais espaço na década de 50 nos Esta-dos Unidos e na Europa. No Brasil, existe desde 1974 no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. De acordo com a (OMS) Organização Mundial de Saúde, adolescência é o período entre os 10 e 20 anos de idade. Na maioria das vezes, a adolescência é uma fase bastante complexa, pois é uma transição entre a infância e a idade adulta, ou seja, não são mais crianças, mas ainda não podem ser tratados co-mo adultos. Desta ma-neira, existem muitas peculiaridades específi-cas deste período de vida. É muito importante conhecer adolescência e suas características pró-prias, tanto psicológicas como biológicas e so-ciais. “O adolescente passa por uma série de transformações metabó-licas e hormonais que re-fletem em estresse emo-cional proveniente de co-branças externas e pres-sões de querer aceitação na sociedade. Por isso o cuidado deve ser redo-brado com eles”.
Hebiatria deriva de Hebe, conhecida como a deusa da juventude na mitolo-gia grega.

 


 

 

       12 de junho, 2010
 

Pequenos hábitos podem ser prejudiciais
ao crescimento da face


Quando o assunto é a saúde de crianças, os pais nunca perdem a oportunidade de saber o que é melhor ou pior para elas. O desenvolvimento da face abrange diversos fatores que podem contribuir de forma positiva ou negativa ao processo no decorrer da vida. Logo, existem alguns pontos que quem tem filhos deve estar ciente para garantir um crescimento correto e saudável da criança.

O ortodontista e ortopedista-facial Gerson Köhler explica que as funções da face são responsáveis pela maneira como esta irá se desenvolver. Ou seja, se o rosto não trabalha corretamente, não cresce do jeito certo, não sendo – como se acreditava anteriormente – só a genética e a hereditariedade a determinarem isto.

Comportamentos ligados aos atos de sucção e mastigação, como: usar a chupeta ou a mamadeira por tempo demais, chupar o dedo, morder constantemente objetos, as bochechas e lábios, roer as unhas, o apertamento dos dentes durante o sono, com ou sem rangido, podem ser nocivos ao crescimento da face.

Porém, a postura corporal também pode ter influência, principalmente a posição inadequada da cabeça e do pescoço. Da mesma forma, o jeito de deitar na hora de dormir pode ser outro um problema.

Gerson Köhler diz que existem ainda os chamados distúrbios miofuncionais, que costumam estar invariavelmente ligados à respiração feita pela boca, quando existem impedimentos da passagem do ar pelo nariz ou pela nasofaringe, região onde existe a adenóide, um tecido esponjoso que pode fechar a parte de trás das narinas.

“Este procedimento altera a posição da base da língua e da mandíbula. Com isso, a musculatura da face muda sua forma de trabalhar, e como tem ação de tração sobre os ossos, o rosto começa a ser moldado da maneira errada. Este quadro, muitas vezes, está ligado também às alergias nasais”, explica Köhler.

Aliás, as alergias – rinitosas - que interferem no mecanismo respiratório e estimulem a chamada respiração de suplência, feita pela boca, desequilibram a atuação dos músculos faciais, que desviarão o desenvolvimento ósseo maxilar a mandibular do padrão correto. Consequentemente, os dentes nascerão em posições desorganizadas.

Köhler afirma que o padrão e a qualidade corretos da respiração são a chave do desenvolvimento normal do rosto humano. “Em casos de alergia, o tratamento se dará em contexto interdisciplinar, desde que diagnosticado precocemente. A terapia pode envolver médicos otorrinolaringologistas, alergologistas, pediatras, fonoaudiólogos e odontopediatras, além do ortodontista e ortopedista facial”.

As consequências sobre a estética e a funcionalidade do rosto são bem evidentes, mas a autoestima da criança também pode ser afetada. Segundo Köhler, o rosto é área corporal mais suscetível a deformações, que ocorrem lentamente, em geral, em decorrência da realização de funções faciais de maneira inadequada, como a respiração, mastigação, deglutição etc.

“Todos sabemos que crianças e adolescentes não perdem a chance de fazer piada uns com os outros. Então, o jovem com essas deformações na face – principalmente na região dentofacial, que engloba o sorriso - vira alvo de brincadeiras e apelidos de mau gosto, que podem gerar um estresse psicossocial, consequentemente, um comportamento retraído e complexado”, explica Köhler.

Por isso, o também ortodontista e ortopedista-facial Juarez Köhler diz que quanto antes forem detectados desvios no padrão de desenvolvimento, já deve haver um trabalho para corrigir e normalizar o problema. “Muita gente acha que o ideal é tratar só na adolescência, mas isso pode ser inadequado, pois quanto antes o problema for diagnosticado e tratado melhor”, complementa.

Estudos e pesquisas dos principais centros de crescimento facial do mundo sustentam a premissa de que o diagnóstico e tomada de consciência das alterações presentes, pode e deve começar a ser efetuada já a partir dos 3 anos de idade, o que não significa, em absoluto, o uso obrigatório imediato de aparelhos corretivos.

De acordo com os especialistas, a idade pré-escolar (dos 3 anos 6 anos) costuma ser, em princípio, a ideal para efetuar uma primeira avaliação sobre o que esteja ocorrendo de inadequado com a face da criança.

Para finalizar, Gerson Köhler ressalta que embora seja senso comum, várias pesquisas médicas já demonstraram que a crença de que a herança genética por si só define a forma final do desenvolvimento do rosto é incorreta.

“Na realidade, o projeto genético está codificado para dar certo, para a formação normal do rosto, mas os fatores ambientais e comportamentais podem, sim, prejudicar esse processo. Essa relação negativa genética-ambiente resulta em vários tipos de disfunções e anomalias, sendo as mais comuns as dentofaciais, relacionadas a qualidade da arcada dentária, a posição dos dentes”, conclui.


Doutor Gerson Köhler (CRO 3921 – PR)
Especialista em Ortodontia e Ortopedia Facial
kohler1@uol.com.br


 


Direção e Editoria - Irene Serra