Ano 14 - Semana 758

 


Vitamina D
Recentemente, a vitamina D foi considerada uma ar-ma poderosa na luta do corpo contra a tuberculo-se, além do que pesqui-sadores já haviam esta-belecido que esta vitami-na é capaz de aprimorar o sistema de defesas imu-nológicas na luta contra todos os tipos de infecções.
A vitamina D faz total diferença na luta contra a tuberculose. Pacientes que se apresentavam com ni-veis adequados desta vi-tamina apresentaram 85% a menos de formação de colonias de bacterias cau-sadoras da doença. Vale a pena frisar que tuberc-ulose é uma doença alta-mente contagiosa e cuja incidencia tem aumentado em todo o mundo. Uma das possiveis causas do reaparecimento agressivo desta doença está na di-minuição das defesas imunológicas das popula-ções de varias partes do mundo, principalmente de vido a carências nutricio-nais, isto é, consumo de alimentos pobres em nu-trientes, como se vê com frequencia nos casos de alimentos industrializados. Entretanto, os pesquisa-dores descobriram que do ses suplementares de vitamina D podem fazer uma grande diferença na luta contra as doenças in-fecciosas. É claro que, juntamente a isso, a reco-mendação de reavaliação da dieta alimentar tam-bém se faz urgente pois, com nutrientes adequa-dos, as defesas serão sempre mais eficazes.

(Sérgio Vaisman)
 


 

     21 de outubro, 2011
 

Hérnia de Hiato


A hérnia de hiato caracteriza-se por uma fraqueza do músculo diafragma. Este músculo divide o abdômen do tórax e é por um espaço neste músculo, conhecido por hiato esofágico, que o esôfago penetra na cavidade abdominal. Devido ao alargamento deste espaço, uma parte do estômago desliza em direção ao tórax, o que se denomina hérnia de hiato.
O maior inconveniente que a hérnia de hiato traz aos pacientes é a sua relação com o refluxo gastresofágico. O refluxo se caracteriza pelo retorno do conteúdo do estômago (suco gástrico e alimentos) para o esôfago. Como a mucosa (revestimento interno) do esôfago não está preparada para receber este tipo de conteúdo, já que este é muito ácido, ocorre uma inflamação do esôfago, conhecida como esofagite.
O tratamento da hérnia de hiato pode ser clínico ou cirúrgico, na dependência do tamanho da hérnia de hiato e da intensidade do refluxo gastresofágico.


O Dr. Pedro Pinheiro esclarece sobre hérnia de hiato e refluxo gastroesofágico:


O que é refluxo gastroesofágico?

O esôfago é um órgão oco, uma espécie de tubo que liga a boca ao estômago; possui aproximadamente 40 cm, desce por todo o tórax e desemboca no estômago, já dentro da cavidade abdominal. Na junção entre o esôfago e o estômago existe um esfíncter, chamado de esfíncter esofágico inferior, uma estrutura muscular em forma de anel que controla a entrada de alimentos no estômago e impede o retorno do mesmo para o esôfago. O esfíncter é uma espécie de porta, isolando o esôfago do estômago. Ele abre-se para deixar a comida passar e fecha-se logo após para evitar que ela retorne.

O esfíncter esofágico inferior (EEI) localiza-se logo abaixo do diafragma, que é a estrutura que separa o tórax do abdômen. Quando o esfíncter funciona corretamente, ele impede que o conteúdo dentro do estômago retorne para o esôfago, mesmo quando deitamos ou ficamos de cabeça para baixo.

Apesar da presença do esfíncter, é normal que esporadicamente alimentos refluam para o esôfago, podendo chegar até à boca, principalmente após ingestão de grandes quantidades de comida. Normalmente é um bolo alimentar que sobe com uma sensação de queimação e deixa a boca com gosto ácido. O refluxo pode ocorrer quando comemos muito e dilatamos o estômago, aumentando a pressão em seu interior.

Nem todo refluxo chega à boca, muitas vezes se restringe ao esôfago e leva apenas a sensação de azia, quando muito. O refluxo pode permanecer uma doença silenciosa por muito tempo.

O estômago é recoberto por uma mucosa resistente à extrema acidez do suco gástrico, o que não ocorre com o esôfago. Toda vez que há um refluxo do conteúdo estomacal para o esôfago, este sofre pela acidez do mesmo. Como a mucosa do esôfago não tem proteção para substâncias ácidas, pessoas que apresentam refluxo com frequência, ao longo do tempo, desenvolvem lesões tipo queimaduras, levando à esofagite (inflamação do esôfago).


Por que ocorre o refluxo gastroesofágico?

O refluxo ocorre sempre que o esfíncter esofágico inferior (EEI) apresenta defeito no seu funcionamento. Isto acontece por vários motivos:
Quando comemos muito e dilatamos o estômago o anel esfincteriano tem maior dificuldade em fechar-se.
Algumas substâncias parecem colaborar para um maior relaxamento do esfíncter. Entre elas o cigarro, refrigerantes e bebidas alcoólicas.
Pessoas obesas também apresentam alteração no funcionamento do esfíncter.
Na gravidez, pelas alterações mecânicas e hormonais que que ocorrem durante a gestação, também ocorre um relaxamento do EEI, favorecendo o aparecimento do refluxo gastroesofágico.
Todavia, o principal fator relacionado à DRGE é a hérnia de hiato ou hérnia hiatal.

O que é a hérnia de hiato?

Chamamos de hérnia toda protusão de uma estrutura ou órgão através de um orifício. Traduzindo: toda vez que um órgão sai da posição normal e "escorrega" através de uma abertura para dentro de outro local chamamos de herniação.

A hérnia de hiato é a protusão de parte do estômago para o tórax, através do orifício do diafragma. Ainda não sabe corretamente o que causa a hérnia de hiato.

A hérnia hiatal por deslizamento (imagem do meio) é a mais comum e corresponde a 95% dos casos. Reparem que quando ocorre a herniação de parte do estômago para o tórax, o esfíncter esofagiano que ficava logo abaixo do diafragma também é levado junto para cima. Deste modo ele não consegue funcionar corretamente.
 



Sintomas do refluxo gastroesofágico


- Pirose ou azia: é a sensação de queimação ou calor no peito, normalmente irradiada desde a parte superior do abdômen até a garganta. Costuma ocorrer após alimentação, quando o estômago cheio favorece o refluxo.

- Regurgitação: é o retorno do conteúdo alimentar até a boca, com gosto ácido e azedo. Regurgitações frequentes podem levar a lesões erosivas dos dentes. Náuseas e vômitos são incomuns, mas podem ocorrer em alguns pacientes.

- Dor no peito: alguns pacientes apresentam dor torácica que pode lembrar dor de angina.

- Tosse, rouquidão e asma: o refluxo de material ácido para a parte inferior da garganta pode levar em alguns casos à tosse crônica e alterações na voz. Em pessoas susceptíveis, o refluxo pode desencadear crises de asma

- Dor de garganta: dores de garganta crônicas, sem causa aparente e sem outros sinais de infecção, como febre, podem ser sinal de doença do refluxo gastroesofágico.

- Excesso de saliva: alguns pacientes com refluxo queixam-se de salivação excessiva


Complicações do refluxo


A exposição contínua de material ácido no esôfago leva, a longo prazo, às complicações da doença do refluxo esofágico.

a.) Ulcerações: a presença de esofagite grave pode levar a úlceras e erosões na parede do esôfago, causando grande desconforto.

b.) Estenose do esôfago: a inflamação do esôfago pode ser tão grande que o edema (inchaço) formado no local pode dificultar a passagem de alimentos. O doente queixa-se de sensação de bolo na garganta e de impactação dos alimentos ingeridos.

c.) Dismotricidade esofágica: o esôfago é um órgão muscular que através de contrações sequenciais empurra o alimento ingerido em direção ao estômago. Ao contrário do que possa parecer, não é a gravidade que leva a comida para baixo. Ela com certeza ajuda, mas podemos engolir de cabeça para baixo que ainda assim, a comida chega ao estômago.

Com a inflamação crônica causada pela agressão ácida, a inervação e a musculatura do esôfago começam a ter dificuldades na sincronização dos movimentos, dificultando o transporte de alimentos da boca ao estômago, colaborando também para os sintomas de impactação e bolo na garganta.

d.) Esôfago de Barret: a agressão crônica às células do esôfago pelo ácido estomacal faz com que elas sofram transformações e passem a ter características de células intestinais. A essa alteração estrutural do tecido esofagiano damos o nome de esôfago de Barret. Essa células alteradas apresentam maior risco de transformação em câncer, podendo levar ao adenocarcinoma do esôfago. Portanto, um refluxo contínuo, levando à esofagite, é um fator de risco para câncer do esôfago.

Na maioria das vezes o refluxo e a esofagite são diagnosticados pela endoscopia digestiva alta. É importante salientar que até 25% dos pacientes com refluxo podem tê-lo de forma leve, não apresentando alterações à endoscopia digestiva. Uma endoscopia normal não descarta o diagnóstico de DRGE.


Gravidade da esofagite

Existem 2 classificações que visam graduar a gravidade da lesões no esôfago a partir dos achados na endoscopia digestiva alta:

1.) Classificação de Savary-Miller = Varia de 0 a 5. Quanto maior o grau mais grave é a lesão, sendo o grau 5 indicativo de esôfago de Barret.

2.) Classificação de Los Angeles = Varia de A a D, sendo A a lesão mais simples e D a mais grave.


Tratamento do refluxo gastroesofágico


O tratamento do refluxo depende do grau do mesmo. Casos leves podem ser tratados apenas com mudanças dos hábitos de vida, enquanto que casos mais graves podem necessitar de correção cirúrgica.

1.) Alterações nos hábitos de vida

- Elevação da cabeceira da cama. Pode-se colocar algum livro ou bloco em baixo dos pés da cama para se elevar a cabeceira em uns 20 cm. Pessoas com EEI incompetente apresentam piora do refluxo ao deitar, quando a gravidade já não mais dificulta o conteúdo gástrico de alcançar o esôfago.

- Não se deitar por pelo menos 1,5 a 2h após as refeições. Evite comer grandes quantidades de uma só vez. Quanto mais cheio fica o estômago, maior o risco de refluxo.

- Alguns alimentos pioram os sintomas de quem tem DRGE, entre eles: álcool, refrigerantes, frituras, pimenta, chocolate, sucos cítricos e molho de tomate.

- Evitar cigarro

- Mastigar chicletes após as refeições reduz os sintomas em alguns pacientes.

2.) Medicamentos

Aqueles com sintomas moderados ou nos quais as medidas educacionais não surtiram efeito devem ser tratados com medicamentos a fim de impedir uma esofagite mais grave e o aparecimento do esôfago de Barret.

Os inibidores da bomba de prótons são drogas que diminuem a secreção de ácido pelo estômago, diminuindo assim o risco de lesão do esôfago naqueles com refluxo. Os mais conhecidos são: Omeprazol, Lansoprazol e Pantoprazol. A Ranitidina pertence a outra classe de drogas, mas também reduz a acidez estomacal, porém, sua potência é inferior a dos inibidores de bomba. O tempo mínimo de tratamento é de 8 semanas.

3.) Cirurgia

A cirurgia para restabelecer a competência do EEI pode ser necessária nos pacientes que não respondam as medidas acima e mantenham sintomas intensos. Doentes com esofagite grave, estenose do esôfago ou com esôfago de Barret também são candidatos à cirurgia.


A Dra. Jocelem Salgado informa sobre princípios alimentares para portadores de refluxo

1º) Reduzir o peso se estiver acima de seu peso.

2º) Manter um diário dos alimentos e das bebidas que pareçam causar seus sintomas.

3º) Observar o papel e os comportamentos alimentares, como comer "correndo", refeições grandes, excesso de álcool e cafeína.

4º) Ficar num equilíbrio de três refeições e dois lanches por dia. Basear cada refeição em alimentos pobres em gordura, ricos em fibras e em carboidratos, como cereais, pão, massas ou arroz.

5º) Evitar "repetir" ao jantar e evitar comer menos de 2 horas antes de ir dormir.

6º)Fazer escolhas sensatas ao comer fora - menos gordura e limitar o número de pratos (tente uma entrada e uma salada ou apenas um prato principal e salada)


Cardápio com 35g-40g de gordura e 30g de fibras

- Café da manhã - uma tigela de cereais ricos em fibras, como musli, ou mingau com frutas frescas, ou leite desnatado e torrada integral com um mínimo de margarina e mel.
- Almoço - frango e verduras com um mínimo de óleo, servidos com arroz no vapor. Água gelada com limão ou suco de lima.
- Lanches - frutas frescas, iogurte light, crackers pobres em gordura, como biscoito de arroz, aveia, polvilho. Água, chá ou suco diluído. Evitar lanches ricos em gorduras, como salgadinhos do tipo batatas fritas, salgadinhos de milho e queijos e biscoitos doces.
- Jantar - sanduíches feitos de pão integral com queijos pobres em gordura, carnes magras, peixe e salada. Não usar margarina ou maionese. Frutas frescas com iogurte pobre em gorduras. Água, chá ou suco diluído.

Finalizando, concluímos que a moral da história todos já sabemos: substituindo hábitos errados por hábitos alimentares corretos, disciplinando os horários das refeições e usando o bom senso na escolha dos alimentos com certeza passamos a ter uma qualidade de vida melhor, com ânimo para trabalhar, estudar, divertir, passear, enfim , desfrutar o que a vida oferece de bom com alegria.


 

Fontes: Dr. Pedro Pinheiro, gatroenterologista, Recife
Dra. Jocelem Salgado, Piracicaba

 


 


    Direção
    IRENE SERRA
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