Ano 17 - Semana 867

 

 


 

 

  22 de novembro, 2013
 

Visitas a Doentes



Dr. Pedro Franco

Podem ajudar ao enfermo, mostrando que é querido e lembrado, melhorando suas condições psicológicas. Não discuto. Mas, de forma geral, por serem mal feitas, só agravam o estado de saúde do paciente. É uma constatação, após longos anos de Medicina.

Antes que tudo, se houver um aviso de visitas proibidas, vale para todos os familiares, ou amigos, só havendo a exceção para um acompanhante, se o médico assistente arbitrou esta exceção. Não adianta ser o primo querido, o chefe, o cobrador, ou uma "amiga" muito chegada. Visitas proibidas são visitas proibidas. Há uma motivação médica, ditada pela técnica, com apenas uma finalidade: contribuir para recuperar o enfermo.

Se as visitas são permitidas, há que fazê-las com método:

1.°) Uma a duas de cada vez no quarto;

2.°) Devem durar pouco tempo. Tempo no sentido de 5 a 10 minutos;

3.°) Não se fuma no quarto do doente;

4.º) Não se fala alto, ou se fica às gargalhadas;

5.°) Não se vai com "cara de enterro";

6.°) Ninguém se deve perfumar em excesso, ou encher o quarto de flores;

7.°) Quarto de enfermo, desculpem a gíria, ditada pela irritação do que vemos, não é local de "chacrinha";

8.°) Nos corredores do hospital valem as mesmas recomendações. Se o seu enfermo é uma parturiente e o recém-nato vai bem, no quarto ao lado alguém pode estar entre a vida e a morte;

9.°) Não se dá comida ao enfermo, trazida da rua. Como veem da rua, cuidado também com o que manuseia. Lave-se, se for preciso. E não é preciso beijar ou abraçar o enfermo. Lembre-se, ele é um doente. Doente!

10°) Deixei para o final um tópico fundamental. Cuidado com os assuntos abordados. O doente já esta abalado pela doença, ou pela cirurgia e vem alguém e conta um caso muito triste, ou a morte de um amigo comum, ou começa a chorar. E são visitas demoradas, que se revezam, para não cansar, o dia inteiro, e cansam doente e acompanhante. Os assuntos para um paciente, em casa ou no hospital, ou mesmo na rua, devem ser não traumatizantes. E mesmo de doente para doente. Como em uma sala, por exemplo, de cobaltoterapia, sem querer, doentes e familiares, familiares e doentes e doentes e doentes se massacram, trocando agruras, só falando em tristezas, abalando a moral de todos. Procure, ao conversar com um enfermo, motivos leves, alegres, gerais, que possam distraí-lo de suas dores, ou preocupações. Faça o impossível para infundir-lhe confiança, sem polemizar, ou discutir. Deixe a tarefa da "guerra", para quem de direito: a equipe técnica. Mas antes de tudo: cuidado com seus assuntos, cuidado com suas doenças ou seus "casos". O visitante, às vezes, ajuda muito ao doente. Em determinadas ocasiões foi o empurrãozinho que faltava para o pior.

Dr. Pedro Diniz é cardiologista
RJ

 

 


 


 

Direção e Editoria - Irene Serra

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