Ano 17 - Semana 864

 

29 de outubro:
Dia Mundial de Combate ao AVC

 


 

 

  01 de novembro, 2013
 

Acidente Vascular Cerebral
AVC

Leandro Teles


Estima-se que uma a cada seis pessoas terá um AVC (Acidente Vascular Cerebral). Trata-se de um problema extremamente comum que pode levar à morte ou causar sequelas neurológicas permanentes. No Brasil, a cada cinco minutos, alguém morre da doença (são cerca de 100.000 mortes ao ano). Além de todas as vidas perdidas, ela representa também a principal causa de incapacidade irreversível, com profundos impactos físicos, psíquicos e financeiros, envolvendo não só o paciente, mas também seus familiares e a sociedade como um todo.

O AVC é um evento neurológico repentino e, dependendo do tamanho, localização e contexto clínico, pode trazer prejuízo definitivo na vida do paciente. Ele não ocorre no nada, é fruto de um contexto favorável à oclusão de um vaso (isquemia) ou um sangramento (hemorragia), temos que gerenciar esse contexto investindo em prevenção, reconhecimento precoce dos sintomas e tratamento imediato.

O AVC apresenta dois tipos básicos: Isquêmico (o mais comum – cerca de 80% dos casos), aonde ocorre uma interrupção do sangue dentro de uma artéria que nutre uma parte do cérebro; Hemorrágico (20% restantes), aonde ocorre ruptura de um vaso dentro ou ao redor do cérebro causando estrago e disfunção de determinada região.

Principais fatores de risco para um AVC:
Existem fatores modificáveis e não modificáveis. Por exemplo: não podemos mudar nosso código genético, nosso sexo biológico e nem a nossa idade (esses são os fatores não modificáveis). Pessoas acima dos 55 anos e com histórico familiar para AVC sempre terão um pouco mais de risco. Agora, podemos controlar o peso, ter uma dieta saudável, evitar o tabagismo e controlar doenças clínicas que levam ao AVC, tais como: diabetes, colesterol alto, hipertensão arterial, arritmias, insuficiência cardíaca, etc. Agir nos fatores modificáveis é prevenir um AVC.

Por isso fica a recomendação: faça atividade aeróbica regular, mantenha seu IMC (índice de massa corpórea) entre 20 e 25 (calcule pela fórmula: peso dividido pelo quadrado da altura), alimente-se de forma balanceada e saudável e pesquise e trate todas as doenças que possam comprometer seu aparelho circulatório (muitas delas são silenciosas e aparecem em checkups).

Agora, quais serão os sintomas de um AVC e o que fazer diante de um evento como esse? Qualquer perda abrupta de uma função neurológica é uma suspeita de AVC até que prove o contrário.

Fique atento para os 5 sinais abaixo:
1
- Dificuldade para falar ou compreender o que as pessoas dizem
2- Fraqueza ou paralisia de um dos lados do corpo
3- Boca torta para um dos lados
4- Falta de sensibilidade ou formigamento mantido em um lado do corpo
5- Visão alterada agudamente (segue com perda de campo visual ou visão dupla)

Além desses principais também pode ocorrer: dor de cabeça forte e súbita (principalmente em hemorragias), vômitos, tontura que não passa, desequilíbrio e dificuldade para engolir.

Teste simples para fazer com quem está com suspeita de AVC:
1- Peça que a pessoa sorria com força (observe simetria)
2- Peça que levante ambos os braços e os mantenha alinhados (observe se ocorre queda)
3- Peça que responda a uma pergunta (veja que ocorre alteração do discurso ou da voz)

Em caso de alteração ou dúvida, siga as recomendações abaixo:
1- Mantenha a calma e a tranquilidade diante do paciente, mas aja com firmeza e rapidez. Não espere o sintoma passar! Diante de um AVC: tempo é cérebro. Trata-se de um emergência médica, o tratamento nas primeiras 3 horas do evento tem resultados melhores.
2- Acione o serviço de resgate imediatamente! Em uma ambulância o transporte é mais adequado e rápido até o Pronto Socorro.
3- O paciente deve ser conduzido idealmente para um Hospital grande, com recursos para um doente com um possível AVC. Deve ter tomografia computadorizada, unidade de terapia Intensiva e, idealmente, médico especialista (neurologista) na urgência.
4- Não dê Ácido Acetil Salicílico (AAS) ao paciente. Esse é um erro muito comum! Não sabemos ainda (antes da tomografia) se o AVC é isquêmico ou hemorrágico. Se for hemorrágico (20 % dos casos), o AAS pode piorar as coisas.
5- Não reduza a pressão do paciente por conta própria!! Outro erro muito comum, mesmo entre médicos não especialistas. Durante um AVC é comum a pressão estar alta e isso pode ser útil para irrigar a área em sofrimento. Por isso os índices aceitáveis de pressão são bem maiores na fase aguda de um AVC (sendo diferentes entre o isquêmico e o hemorrágico). Por isso, deixe o controle da pressão para um médico que saiba o que está fazendo, pois a queda desnecessária pode piorar o prognóstico.
6- Se o paciente for diabético e usar medicamentos ou insulina, vale a pena (se possível) avaliar a taxa de açúcar no sangue com o aparelho de glicemia capilar (aquele da picada no dedo). A glicose muito baixa no sangue pode simular um AVC e precisa ser revertida o quanto antes para não deixar sequelas.
7- Comunique o quanto antes o médico pessoal do paciente e leve ao Pronto Socorro as receitas ou os medicamentos que o paciente faz uso regular. Se possível leve também relatórios e exames recentes para o médico do Pronto Socorro tenha mais informações sobre o contexto clínico. Tudo isso é fundamental para tomar as decisão durante a emergência.
 


Leandro Teles é neurologista – CRM 124.984.
Formado e especializado pela USP e
Membro Efetivo da Academia Brasileira de Neurologia (ABN)


 

 


 


 

Direção e Editoria - Irene Serra

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