Ano 16 - Semana 859

 

Lembre-se de beber água:
Nosso corpo é formado principalmente de água. Este elemento faz parte da estrutura de todas as nossas células e, conse-quentemente, de todos os órgãos que possuímos. A água é fundamental na manutenção do volume circulatório que preenche nossos vasos sanguíneos e, dentre tantos pontos relevantes, faz parte do processo de síntese de colágeno, tão importante na manutenção da boa qualidade das nossas car tilagens e da textura da nossa pele, sem men- cionar outros. Apesar de toda a importância, mui-tas pessoas simplesmente esquecem de tomar água adequadamente. Pesquisas científicas re-centes estimam que cerca de 30% da população mundial vive num estado crônico de desidratação. Ora, se é tão simples se manter o equilíbrio do organismo no que se refe-re à hidratação, por que isto ocorre? A resposta mais simples é que nem sempre se dá ênfase suficiente ao habito de se beber água. Dentre mui-tas consequências da desidratação está a maior concentração da urina, o que favorece a formação de cálculo (pedra) renal. Indivíduos idosos são os que mais se esquecem de beber água e isto também prejudica a função cerebral e a vitalidade do corpo. Você também se esquece de beber água?

(Dr. Sergio Vaisman)

 


 

 

  27 de setembro, 2013
 

Eureka!

Você já teve uma grande ideia hoje?
 

Reza a lenda que Arquimedes (250 anos antes de Cristo), saiu de sua banheira e, ainda sem roupa, correu pela rua gritando “eureka” (algo como “encontrei”, em grego). Tudo isso porque descobriu que o volume de qualquer objeto pode ser calculado pelo volume de água mobilizada quando este fica totalmente submerso. Essa ideia configura um dos princípios de Arquimedes, que o imortalizou como um dos gênios da humanidade. Bom, nem pareceu uma ideia tão complicada assim, não é verdade? Mas é isso que define uma ideia genial! Sua simplicidade, seu ineditismo, seu alcance e sua capacidade de resolver problemas do dia-a-dia.

Quanto vale uma grande ideia? Ou pior, quanto pode custar investir em uma ideia ruim? Na verdade, uma boa ideia pode salvar uma empresa, uma família ou uma carreira inteira. Está aí seu maior bem cognitivo, sua capacidade de ter e criar suas ideias, vendê-las, aplicá-las, de modo a transformar uma estrutura mental em um bem real.

Segundo o Neurologista Leandro Teles, membro da academia Brasileira de Neurologia, nosso cérebro é uma grande usina de ideias; algumas boas, outras nem tanto. “A arte está em direcionar os esforços mentais em prol da qualidade, não da quantidade, além da capacidade de colocar nossas fichas nas ideias certas”.

Mas, o que será que determina a ocorrência de uma grande ideia, por que é tão difícil ser criativo?
O cérebro humano é movido por dilemas e escolhas. Uma ideia nasce diante de uma necessidade. “O cérebro percebe um problema, traça estratégias e visualiza caminhos. Aí entra em jogo um sistema sofisticado de previsão de resultados; consideramos geralmente boa a solução com menor taxa de erro. Nasce, então, o primeiro problema! A maioria das ideias são óbvias, lógicas e caem na resolução de senso comum. Os cérebros são parecidos, as soluções seguras também, uma ideia realmente criativa é rara e por isso vale ouro, para tê-la é preciso talento, esforço e estar disposto a errar”.


Como estimular as ideias criativas?
Convidamos o Dr. Leandro para enumerar algumas dicas para um pensamento menos padronizado.

1- Arrisque
A criatividade cobra seu preço. Você precisa estar disposto a errar. Não dá para ter ideias geniais sem arriscar nada. A criatividade é fruto do erro cognitivo, quem pensou fora da “normalidade” é quem teve o raciocínio criativo. Isso, obviamente, eleva o risco.

2- Mude o enfoque
Olhar o problema na mesma ótica irá gerar soluções segundo a lógica e o senso comum. Procure dar uma visão diferente, inédita e inovadora. Mude o ângulo, comece o raciocínio de forma diferente. O resultado pode ser surpreendente.

3- Busque analogias
Pessoas com maior bagagem cultural encontram soluções com mais facilidade. Muitas vezes aquilo já foi vivenciado e resolvido em outro contexto. Se deu certo em uma vez, pode ser adaptado e dar certo de novo. Busque respostas na natureza, na arte, na história e surpreenda-se com soluções simples e eficientes. Não se trata de copiar, mas sim de não ter que redescobrir a roda, bastando aplicá-la de forma inédita.

4- Não desista precocemente
Muitas ideias geniais parecem estúpidas à primeira vista. Normal que seja assim, já que é algo diferente, não óbvio, incomoda. Dê uma segunda, terceira, quarta chance. Não se pergunte “porque sim?”, e sim: “porque não?”. Supere os obstáculos, invista tempo e estratégia para tornar possível. Se fosse fácil alguém já teria feito antes, talvez.

5- Pense em conceitos, não em detalhes
Olhe o conjunto, de longe, difusamente. Parta do todo para o específico. As melhores ideias são as ideias conceituais, de aplicação ampla, depois é bem mais fácil individualizar e personalizar o processo. A quebra de um paradigma traz implicações exponenciais e muito mais abrangentes do que criar exceções pontuais.

6- Evite a gaveta
A gaveta é um cemitério de boas ideias. Muita gente pensa muito e age pouco. Se a ideia te convenceu, corra atrás, deixe-a mais robusta, mais simples, mais sedutora. Leve-a para o mundo real, editada, passe-a adiante, divida com outros cérebros, veja a reação. Algumas ideias parecem ainda melhores quando devidamente aplicadas, outras perdem muito quando adentram o mundo real. A pior das hipóteses é não dar uma chance a algo que parece bom.

7- Perceba a resposta
Pior que não ter uma ideia é não reconhecer uma ideia. Atente para seus pensamentos, para seu ambiente, somos bombardeados por pedaços de respostas. Faça as coisas com foco, calma e organização. Valorize o pensamento intuitivo (aquele que aparece dissociado de lógica sequencial), perceba possíveis insights (soluções prontas que surgem das profundezas do nosso cérebro de tempos em tempo), agarre o traço cognitivo da ideia e não deixe ele escapar da memória.

 

Leandro Teles é neurologista – CRM 124.984
Formado e Especializado pela Universidade de São Paulo
Membro da Academia Brasileira de Neurologia (ABN)


 

 


 


 

Direção e Editoria - Irene Serra

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