Ano 16 - Semana 856

 


Estatinas e fadiga

Muitas pessoas fazem uso diário e durante muitos anos seguidos de estati-nas, substancias que re-duzem os níveis do coles-terol, seguindo prescrição de seus médicos. Além de vários efeitos colaterais possíveis de surgirem pelo uso dessas substancias, os mais frequentes envol-vem a tendência de afe-tar a força muscular pela diminuição de produção de energia no interior de todas as células do orga-nismo. Como resultado, muitas pessoas que to-mam estatinas demons-tram importante declínio do estado geral, queixan-do-se de cansaço e fra-queza muscular, principal-mente nas pernas. Uma importante medida para minimizar esses efeitos se consegue suplementando doses de uma substancia natural existente no inte-rior de nossas células que se chama COENZIMA Q10. O mais difícil é convencer os médicos que insistem na tomada de estatinas que se pode melhorar sin-tomas de efeitos cola-terais se usando simples-mente a Coenzima Q10 em doses adaptadas a cada pessoa.

(Dr. Sergio Vaisman)

 


 

 

 06 de agosto, 2013
 

Festas e Dispépticos

 

Dr. Pedro Franco
 

Nossa conversa hoje não é pertinente ao médico. Interessa mais a alguns doentes e por eles o assunto me foi trazido. A obrigatoriedade de comer e beber socialmente e ir a festas para determinadas pessoas é um verdadeiro martírio, pois alguns anfitriões julgam o seu visitante pela voracidade e "capacidade hidráulica". O coitado que carrega uma enfermidade digestiva tem três alternativas, em relação a recepções:

1.°) Não ir. Mas a família reclama, idem os amigos e se insiste em se meter em casa fica insociável, retraído, pouco lembrado e até profissionalmente pode se prejudicar;

2.°) Ir e comer. Mas há os dias subsequentes, com enxaquecas, náuseas, vômitos, tonteiras, cólicas etc. Assim não da;

3.°) Ir e não comer e nem beber. Talvez seja a opção mais valida, porem mais difícil de manter em sociedade. Come, está uma beleza! Fui eu quem fez, com tudo fresquinho! Um pouquinho não faz mal! Você esta ficando um "chato". Não bebe nada! Que mal faz um "uisquinho escocês?" Isto e "psicada". Vá lá, tome um golinho desta batida especial! E haja paciência para não comer ou beber, para dizer não, para não ser indelicado. Mas, às vezes, me contam os doentes, a pressão social é forte, a anfitriã exigente, o anfitrião agressivo bebedor. Ou brigo ou bebo. Ou como. E bebe-se o vinho do Rio Grande do Sul, especial ou se degusta-se a maionese de camarão. E perde-se os próximos quatro dias, com sérios problemas digestivos. Ou os hiperlipidêmicos são obrigados a ingerir gorduras de origem animal. (— Não acredite neste neg6cio de colesterol ou triglicerídeos, isto é invenção dos médicos), ou fazem os diabéticos comerem fatacazes de bolo. (Um dia só não faz mal. Gostou? Então mais uma fatiazinha). E o cafezinho para
os ulcerosos, as frituras para os portadores de colecistites, o sal para os hipertensos. A lista seria inutilmente grande.

Relatei as ocorridas e as tensões desencadeadas. O enfermo procura uma das três alternativas, consecutiva e sucessivamente, cambiando de ordem. Mas alguns referem-me o seguinte. Adoram ir a festas. Gostam de conversar, mesmo com água mineral. Encantam-se com os "papos", com a convivência. Não são enjoados ou invejosos, por não comerem ou beberem. Acham a comunicação mais importante nas recepções, que os secos e molhados, por incrível que possa parecer. Preferem um bife mal passado com batatas cozidas e arroz em um jantar elegante, pois o que querem mesmo é gozar as companhias e as ideias. Valorizam mais o intelectual do que o gustativo, por estranho que seja. A presença destas pessoas é um preito aos donos da festa. Vieram para rever amigos, conversar, rir, contar piadas. Mas não podem pagar o alto preço de passarem dias adoentados, até porque têm de ganhar seus sustentos, nos dias seguintes às festas, se os donos da casa são insistentes e obsequiosos em demasia.

Quem sabe se o senhor ou a senhora, excelentes anfitriões, por excesso de cuidados não estão colocando para correr um bom e excelente conviva, mental, pois sendo, digamos, fraco de estômago, abandonará sua casa, ao se ver obrigado a comer e beber, ou caindo na negativa, vê o senhor ou a senhora ficarem magoados. Aceitem seus amigos como são, Acreditem, no caso, em Rabelais (Faz o que desejar). Come e bebe quem pode e quer. Quem não se "amarrar" na mesa, viverá as outras distrações das suas festas. Agindo assim estarão deixando se divertir, como a natureza lhes permite Não pense que um bom conviva, um bom amigo, se mede pelo grau de glutoneira ou capacidade alcoólica. Acredite, um mau "gourmet" pode ser um excelente "papo" e visita alegre. E apresenta mais uma vantagem, nunca corre o perigo de se tornar alegre em excesso...

Dr. Pedro Franco é médico cardiologista,
RJ

 


 


 

Direção e Editoria - Irene Serra

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