Ano 16 - Semana 855

 


Você foi ao McDonald´s hoje?

Uma nutricionista America-na chamada Joann Brusco resolveu fazer uma ex-periência muito estranha. Foi a uma loja do McDonald´s e comprou uma refeição composta de sanduíche, fritas e refrige-rante que se chama Happy Meal e a levou para casa.
Ao chegar, colocou o san-duíche e as fritas embru-lhados numa prateleira e lá os deixou por 1 ANO sem mexer. Passado esse tempo, voltou ao local, desembrulhou-os e teve uma surpresa assustado-ra: estava tudo pratica-mente igual como havia 1 ano atrás.
Esse experimento simples a fez tirar a mais séria das conclusões: CONSER-VANTES potentes. Mais im-portante ainda, ela perce-beu que se o hamburger, o pão e as fritas não permitiram o desenvolvi-mento de bactérias, então o sistema digestivo prati-camente não conseguirá metabolizar o “alimento”.
Felizmente os pais sabem que o que as crianças mais querem numa Happy Meal é o brinquedo que vem de brinde, portanto fique com o brinde e dispense a refeição.
Depois da ida ao Mc, deve-se pensar em ir para casa e alimentar-se de algo mais saudável.

(Dr. Sergio Vaisman)

 


 

 

   30 de agosto, 2013
 

Mitos e Verdades sobre a
Esclerose Múltipla

Leandro Teles

Dia 30 de agosto é o Dia de Conscientização em Esclerose Múltipla. É uma oportunidade para elucidar uma série de questões envolvendo essa importante doença neurológica, ainda imersa em muito preconceito e desconhecimento por parte de médicos e da população em geral.

1- A Esclerose Múltipla é uma doença muito rara.
Mito.
A esclerose múltipla não é tão rara assim. Ela acomete jovens em todo o mundo e seus sintomas iniciam-se geralmente antes dos 30 anos de idade. Estima-se que existam cerca de 30 mil pessoas com Esclerose Múltipla no Brasil e cerca de 2,5 milhões pelo mundo. Para uma doença neurológica crônica é uma incidência bem alta, sendo uma das principais causas de incapacidade adquirida na população jovem e produtiva, perdendo apenas para traumatismo craniano. Ela ocorre mais em mulheres (3 para cada homem) e pode atingir, eventualmente, crianças. Alguns famosos declararam ser portador de Esclerose Múltipla, como a atriz Claudia Rodrigues (do seriado “A Diarista”), a ex-paquita Pituxa (Louise Wischermann) e o filho de Ozzy Osbourne (Jack Osbourne).

2- A Esclerose Múltipla é uma doença degenerativa.
Mito.
Muita gente acha que a Esclerose Múltipla é degenerativa, como o Alzheimer ou o Parkinson, mas, na verdade, é uma doença inflamatória. Na Esclerose Múltipla ocorrem surtos de inflamação de tempos em tempos (e esse tempo é variável de paciente para paciente) no cérebro, medula ou nervo óptico (nervo da visão). A inflamação é gerada pelo próprio sistema imunológico da pessoa, que identifica a estrutura que encapa uma parte do neurônio (chamada mielina) como algo a ser agredido. Com isso surgem focos inflamados em alguma região do sistema que passa a funcionar com dificuldade. O sintoma do surto pode ser uma fraqueza, perda de sensibilidade, tontura, visão borrada ou dupla, etc. Tudo dependerá do local atingido. Trata-se de uma doença crônica, autoimune (como a tireoidite, o diabetes tipo 1, o vitiligo, a psoríase, por exemplo) e de evolução tipo surto-remissão (uma vez que a agressão ocorre e depois cede, podendo deixar sequelas). Por isso, o tratamento é com anti-inflamatórios (durante um episódio agudo) e com remédios de regulam o sistema imunológico (na fase de calmaria, para evitar uma agressão nova).

3- Esclerose Múltipla é uma doença de pessoas mais velhas.
Mito.
Muita gente associa o termo esclerose com idade avançada. Neste caso, é justo o contrário. Quem apresenta mais a doença são mulheres, jovens (antes dos 30 anos), de pele mais clara (caucasianas). No entanto, a doença pode acometer homens, crianças e eventualmente, pessoas acima dos 50 anos.

4- A Esclerose Múltipla não atinge os nervos.
Verdade.
A Esclerose Múltipla é uma doença predominantemente do sistema nervoso central. Ela acomete o cérebro (qualquer região, principalmente a substância branca, mais profunda) e a medula espinhal. O único nervo que é atingido com muita frequência é o nervo óptico (o nervo da visão, causando embaçamento na região central do olho e dor à movimentação ocular). Os outros nervos do corpo, geralmente são completamente poupados.

5- A Esclerose Múltipla leva à demência.
Mito.
Outra confusão comum. Muita gente acha que “esclerose” denota algo sobre a capacidade mental de alguém. Usam o termo “esclerosado” para classificar alguém que não detém suas habilidades mentais. Precisamos desfazer esse equívoco, o termo “esclerose” quer dizer cicatriz (causada após o surto de inflamação). Os focos de “esclerose” são geralmente profundos e pequenos, com isso, raramente ocorre alteração intelectual ou de comportamento importante, mesmo com anos e décadas de doença. Os sintomas são predominantemente físicos, como fraqueza, alteração visual e alteração sensitiva. Casos de franco declínio intelectual são vistos muito eventualmente ou depois de muito tempo de seguimento e uma carga de lesão bem extensa. Isso é muito importante, pois muitos pacientes podem ter uma vida ativa e produtiva, tanto no aspecto físico, como intelectual e social.

6- A Esclerose Múltipla tem tratamento.
Verdade.
É uma doença inflamatória causada pela ação equivocada do sistema imunológico. O tratamento visa reduzir o tempo e o grau de inflamação durante um surto e, fora do surto, organizar melhor o sistema imune de forma a evitar uma ação equivocada contra o sistema nervoso. O tratamento crônico (fora do surto) deve ser escolhido caso a caso e visa reduzir (geralmente em cerca de 30 a 50%) a taxa anual de surtos. Caso ocorra um surto o tratamento com anti-inflamatório na veia está indicado o quanto antes para facilitar a recuperação. Cada paciente evolui de um jeito, existem casos mais agressivos e casos de evolução bem mais benigna, onde o paciente se mantém funcional por muitos anos e até décadas.

7- Trata-se de uma doença lentamente progressiva.
Mito.
Entende-se por doença progressiva aquela que piora dia a dia, ou mês a mês, numa taxa relativamente constante. A esclerose múltipla clássica (mais comum) é tipo surto-remissão. O paciente vivencia altos e baixos, tem um surto e manifesta um sintoma neurológico novo, o surto melhora e o paciente melhora também, ficando 100% de novo ou retornando com alguma sequela parcial (geralmente menor que no auge do surto). O que gera o aumento progressivo na incapacidade é o somatório dessas sequelas que ficam após um surto. Agora, a evolução pode ser imprevisível, podem surgir surtos mais frequentes ou pode passar longos períodos de calmaria clínica. Cada caso de Esclerose Múltipla tem suas peculiaridades de evolução.

8- O diagnóstico pode ser complicado e o tratamento é caro.
Verdade.
O diagnóstico exige conhecimento médico especializado (geralmente é fechado por um Neurologista Clínico) e exames sofisticados escolhidos caso-a-caso (Ressonância Magnética, coleta de líquor, exames de sangue, etc.). Com isso, uma parcela muito grande da população tem o diagnóstico atrasado e fica sem tratamento (estima-se que apenas 5 mil dos 30 mil casos no Brasil tenham recebido diagnóstico e tratamento adequados). É fundamental disseminar os sintomas mais frequentes, preparar os médicos da atenção primária e melhorar o acesso aos especialistas. Com relação ao custo do tratamento, realmente as medicações que visam evitar os surtos são caras. No entanto, no Brasil, são dadas integralmente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) mediante preenchimento de protocolo apropriado.

 


 

Leandro Teles – CRM 124.984
Neurologista Formado e Especializado pela Universidade de São Paulo (USP)
Membro da Academia Brasileira de Neurologia (ABN)
www.leandroteles.com.br


 

 


 


 

Direção e Editoria - Irene Serra

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