Ano 16 - Semana 834

 

Coma pescados!
O Guia Alimentar para a População Brasileira, do Ministério da Saúde, reco-menda o consumo de pei-xe fresco pelo menos duas vezes por semana. Comer pescado frequente-mente previne doenças cardiovasculares, diminui o nível de colesterol e a ansiedade, além de ativar a memória.
Os peixes são boas fontes de aminoácidos, que aju-dam a formar as pro-teínas, necessárias para o crescimento e a manu-tenção do corpo humano. São também fontes im-portantes de ferro, vita-mina B12, cálcio e gor-duras essenciais, funda-mentais ao bom funcio-namento do corpo.
 

 


 

 

        05 de abril, 2013
 

Dor na coluna: como tratar?



Dr. Paulo Porto de Melo


Má postura, sedentarismo, obesidade e esforços físicos exagerados fizeram da dor lombar uma das queixas mais frequentes em consultórios médicos. E as queixas só vêm aumentando. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, aproximadamente 80% da população tem alguma dor lombar (a famosa dor nas costas) durante a idade adulta e pelo menos 1% destes apresentam ciatalgia, uma dor crônica na parte baixa das costas que também acomete o trajeto do nervo ciático. Não à toa, os problemas relacionados à coluna vertebral têm se tornado um grande desafio para os neurocirurgiões.

Quais são os principais tipos de dores da coluna?

Escoliose, Hérnia de Disco Lombar e Hérnia de Disco Cervical estão entre as principais doenças da coluna. Saiba mais sobre cada uma delas e como tratá-las.

Hérnia de Disco Lombar

Pode se apresentar como lombalgia, quando só dói a região lombar; ciatalgia, que irradia para as pernas pelo nervo ciático e lombociatalgia, que causa dor na região lombar e é irradiada para as pernas.

Muitas pessoas podem ter hérnias, mas não sentir os sintomas dolorosos. Na maioria das vezes, analgésicos, anti-inflamatórios, relaxantes musculares e fisioterapia resolvem a questão. No entanto, uma vez vitimado por uma crise, o paciente pode voltar a ter outras, já que este disco não está mais normal. Isso acaba afetando a capacidade da pessoa de exercer algumas de suas funções e restringindo seus movimentos.

Como é o tratamento?

Para lidar com esta nova dinâmica da coluna vertebral, o ideal é sempre procurar apoio médico. Atualmente existem várias opções de tratamento para hérnias discais. Desde tratamentos conservadores, fisioterapia, acupuntura, medicação até tratamentos mais invasivos. Quando falamos de tratamentos mais invasivos, há uma ampla gama disponível. Desde procedimentos percutâneos, isto é, que não há necessidade de fazer um corte na pele para resolver a situação, em que o paciente tem alta no mesmo dia da internação, até procedimentos maiores, que estão se tornando cada vez menos invasivos.

Através da cirurgia minimamente invasiva é possível resolver situações extremamente complexas da coluna (hérnias, fraturas, deslocamentos, estreitamentos, etc) através de pequenos portais, reduzindo o trauma cirúrgico, a permanência intra-hospitalar, a dor pós-operatória e o período até a plena reintegração às atividades pré-operatórias.

• Hérnia de Disco Cervical

A hérnia discal cervical tem sua origem idêntica à lombar, ou seja, uma ruptura no ânulo fibroso (camada externa do disco) leva ao extravasamento do conteúdo discal (núcleo pulposo). A sintomatologia, no entanto, pode ser diferente. Isto se deve ao fato de existir na coluna cervical a medula. Quando a hérnia acontece na altura da coluna vertebral cervical, a diferença maior é que os sintomas afetam membros superiores. A pessoa pode ter dor na escápula (região posterior), na região axilar, perto do trapézio ou extremo do ombro, irradiando pelos braços e podendo afetar até os dedos.

Como é o tratamento?

Na maior parte das vezes o tratamento conservador resolverá o problema dentro de alguns dias. Mesmo após a resolução dos sintomas, faz-se necessário um acompanhamento regular para avaliar se os outros discos, sobrecarregados pela falência do disco doente, não vão também apresentar problemas. Se houver déficit motor ou alteração no controle dos esfíncteres, há indicação de cirurgia em caráter de urgência para que sequelas sejam evitadas. Casos aonde o tratamento conservador não consiga resolver a sintomatologia também são indicados, classicamente, ao tratamento cirúrgico.

O tratamento conservador é realizado com auxílio de medicamentos anti-inflamatórios, corticóides, relaxantes musculares, analgésicos, acupuntura e fisioterapia. Já o tratamento cirúrgico possui inúmeras alternativas, envolvendo desde tratamentos percutâneos (através de um pequeno furo na pele, de aproximadamente 0,5mm de diâmetro) até os tratamentos convencionais, passando pelas cirurgias minimamente invasivas. Atualmente pacientes jovens são tratados com a filosofia de restaurar a coluna à sua situação normal, ideal. Isto fez com que fossem desenvolvidas próteses discais que não necessitam ser trocadas, e que fornecem à coluna cervical a possibilidade de manter a sua mobilidade.

• Escoliose

A escoliose é a forma de deformidade espinhal mais conhecida pela curva anormal na coluna vertebral que aparece quando olhamos a pessoa ou “de frente” ou “de costas”. A doença é caracterizada, além da deformidade no sentido lateral da coluna, isto é, da esquerda para a direita ou da direita para a esquerda, também por dor. Os sinais mais claramente identificados são a assimetria entre os ombros (um ombro mais alto que o outro), entre as cristas ilíacas (o proeminência óssea visível na região lateral do abdome) ou entre um lado e o outro do tórax.

Como é o tratamento?

A escoliose não melhora com a idade, é uma doença progressiva, mas o diagnóstico e intervenção precoces podem minimizar a curvatura e impedir a progressão da doença. Os tratamentos, no entanto, dependem da idade e do grau da curvatura. Quando a escoliose em bebê e em crianças é considerada grave, o colete de milwaukee, sob a orientação de um médico especializado, é uma das opções. Em adultos, pode se trabalhar a postura com a Reeducação Postural Global (RPG). Apenas em alguns casos, quando são considerados muito graves, é que se deve tratar a escoliose com uma cirurgia. Por ser de grande porte, a cirurgia apresenta uma recuperação também longa. Normalmente, o paciente é liberado para qualquer atividade só depois de 180 dias, com liberação gradativa para atividades usuais a partir dos primeiros 30 dias pós-operatórios.


Dr. Paulo Porto de Melo é médico neurocirurgião formado pela UNIFESP e
Colaborador do Departamento de Neurocirurgia da Universidade de Saint Louis (Missouri- EUA), introdutor e pioneiro da neurocirurgia robótica no Brasil.

 

 

 


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Direção e Editoria - Irene Serra