Ano 18 - Semana 903
 




   
ARQUIVO

 


CREMERJ
Praia de Botafogo, 228 Botafogo - CEP: 22359900 Telefone: (21)
2559-0018, 2559-3899
E-mail:
www.cremerj.com.br/



CRO-RJ
R. Araújo Porto Alegre 70, 4º e 5 andar
Castelo - CEP: 20030015
Tel: (21) 2533-7173
www.cro-rj.org.br

 



 

 

 

      10 de agosto, 2014
---

Pílula do dia seguinte coloca a visão em risco


Mais da metade das adolescentes usa a pílula do dia seguinte indiscriminadamente. O hábito pode aumentar o risco de glaucoma e outras doenças oculares graves.

 

Leôncio Queiroz Neto

Garotas brasileiras de 15 a 19 anos não sabem bem como funciona a pílula do dia seguinte, mas 60% já tomaram. A maioria fez uso indiscriminado, tomando junto com anticoncepcional mensal. É o que revela recente pesquisa divulgada pela faculdade de enfermagem da USP.

A recomendação da OMS (Organização Mundial da Saúde) é só usar a pílula do dia seguinte em situações de emergência, nunca mais de uma vez por mês e não misturar com outros contraceptivos. "Tomar com outro anticoncepcional aumenta muito os níveis de hormônio na corrente sanguínea e provoca graves problemas de saúde que interferem na visão", afirma. Só para se ter uma idéia, a pílula do dia seguinte de dose única tem 1,5 mg de levonorgestrel, um derivado da progesterona que nesta dosagem equivale a metade de uma cartela da pílula mensal. Nas mulheres, comenta, os hormônios sexuais têm uma relação direta com o glaucoma. Outras alterações sistêmicas potencializadas pelo uso indiscriminado da pílula do dia seguinte que interferem na saúde ocular são: retenção de água, hipertensão e trombose.

Risco dobrado

Um recente estudo divulgado pela AAO (Academia Americana de Oftalmologia) mostra que o uso de contraceptivos por 3 anos ininterruptos dobra o risco de contrair glaucoma.  Isso acontece porque o refluxo hormonal pode interferir na drenagem do humor aquoso e aumentar a pressão interna do olho que caracteriza o glaucoma primário de ângulo aberto. Não significa que toda mulher que toma anticoncepcional vai ter glaucoma porque a doença é multifatorial. Embora o resultado do estudo não seja conclusivo, a recomendação da AAO é fazer exame oftalmológico anual a partir dos 40 anos, independente do tipo de anticoncepcional utilizado. As garotas que usam indiscriminadamente a pílula do dia seguinte correm maior risco de ter glaucoma por causa da elevada quantidade de hormônio deste anticoncepcional. 

80% das pessoas só descobrem a doença quando já tiveram perda importante do campo visual ou visão periférica. Outros fatores que indicam tendência ao glaucoma são: casos na família, raça negra, alta miopia e obesidade. O tratamento é feito com colírios que baixam a pressão. A falta de adesão ao tratamento faz da doença a maior causa de cegueira irreversível no mundo.

Outras doenças

A retenção de água provoca inchaço generalizado, inclusive nas estruturas oculares. Por isso, embora menos comum, em pessoas que tenham insuficiência renal pode ocorrer fechamento do ângulo entre a córnea e a íris, causando uma crise de glaucoma primário de ângulo fechado. Trata-se de uma emergência médica que tem como sintomas dor intensa ao redor dos olhos, diminuição acentuada e permanente da visão, náuseas e vômito.

A hipertensão e trombose muitas vezes desencadeada pelos anticoncepcionais podem causar outras graves doenças oculares. As principais são:

Hemorragia vítrea quando os neovasos comprometem o vítreo, substância transparente e gelatinosa que preenche o globo ocular, provocando a obstrução súbita da visão.

Descolamento da retina causada pela tração do humor vítreo que separa as camadas da retina levando à visão de flashes de luz e manchas escuras. O tratamento cirúrgico deve ser imediato para evitar a perda da visão

Glaucoma neovascular decorrente da formação de neovasos na íris que pode aumenta a pressão intraocular e resultar na perda da visão.

Para proteger a saúde recomenda-se só tomar pílula anticoncepcional sob indicação médica e passar por exame oftalmológico em períodos de, no máximo, 2 anos.
 

Dr. Leôncio Queiroz Neto é oftalmologista do
Instituto Burnier, SP
 

 



Seu artigo será bem recebido em riototal@riototal.com.br

Direção
IRENE SERRA
irene@riototal.com.br