Ano 21 - Semana 1.084

 

 

 
   
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1º de julho, 2018

Catarata




Risco de cegueira cresce no Brasil

Em 10 anos o número de brasileiros com catarata aumentou mais que o dobro
das cirurgias oferecidas pelo SUS

 


Leôncio Queiroz Neto

Quem já dirigiu sob neblina sabe bem como é desagradável enxergar tudo embaçado. É o que acontece na catarata, doença que torna opaca a lente natural de nosso olho, o cristalino, que fica atrás da parte colorida, a íris.

A catarata é a maior causa de cegueira tratável no mundo e está relacionada na maior parte dos casos ao envelhecimento. Por isso, não tem como escapar. Depois dos 60 anos, um dia todos nós vamos ter. Pior: Nunca a população envelheceu tão rápido, o número de brasileiros que dependem do SUS está em ascensão e o atendimento público em declínio. Para se ter ideia, o número de brasileiros acima de 60 anos cresceu cerca de 160% entre 2008 e 2017. Passou de 11,5 milhões para mais de 30 milhões segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). No mesmo período, as cirurgias feitas pelo SUS que responde por 65% dos procedimentos no país, teve um acréscimo de 72%. Saltou de 286 mil para 482 mil cirurgias conforme relatório do DATASUS, ficando, portanto, bem abaixo da demanda.

Como adiar a progressão

O envelhecimento causa a degeneração das proteínas do cristalino, mas há outros fatores, alguns controláveis, outros não. Uma pesquisa realizada pelo autor com 814 pacientes revela que 9% dos participantes usavam corticoide continuamente para tratar doenças crônicas. O medicamento antecipa a catarata além de aumentar o risco de contrair glaucoma. Hoje a medicina está equipada para diagnosticar um número muito maior de doenças. Além do corticoide, alguns medicamentos para emagrecer, ansiolíticos, antidepressivos também podem contribuem com o desenvolvimento das catarata. Por isso, quem faz tratamentos contínuos deve passar por consulta oftalmológica anualmente e até em períodos menores, caso sinta a visão alterada. Outras variáveis que podem antecipar a doença são o consumo excessivo de sal, a alta miopia, diabetes e hipertensão arterial.

No mesmo estudo, a falta de sono que acelera a oxidação de todas as nossas células, inclusive do cristalino, foi apontada por 31% dos participantes. Dormir pouco acelera o envelhecimento e, portanto, formação da catarata. O ideal é dormir de 6 a 8 horas/dia. Outros 55% não protegem os olhos do sol com lentes que filtrem 100% da radiação UV (ultravioleta). A falta de proteção UV aumenta em até 60% o risco de contrair catarata. O filtro nos olhos deve ser usado durante o ano todo, inclusive no inverno.

Deve-se incluir na alimentação vegetais verde escuro e gema de ovo, ricos em luteína e zeaxantina, mais as frutas cítricas que contêm vitamina para proteger o cristalino do efeito oxidativo do envelhecimento.

Sintomas

Além da visão embaçada, a catarata aumenta a fotofobia, a ponto dos faróis contra causarem perda temporária da visão e inviabilizarem a direção noturna.
Outros sinais da doença são:
• Perda da visão de contraste.
• Alteração frequente da prescrição dos óculos.
• Enxergar halos ao redor da luz.
• Necessidade de mais iluminação para ler.

Cirurgia

A cirurgia de catarata é um procedimento ambulatorial feito com anestesia local. Consiste em retirar o cristalino com aplicação de ultrassom, fazer uma incisão na córnea e implantar uma lente intraocular que hoje pode eliminar definitivamente o uso de óculos, inclusive em quem tem astigmatismo.
O procedimento pode também ser feito com femtosegundo, laser ultrarrápido que realiza os cortes com absoluta precisão. As vantagens dessa técnica são a maior precisão dos cortes e a menor exposição da córnea ao calor do ultrassom que provoca a morte de células da córnea, que são irrecuperáveis.
Independente da técnica, a recuperação é rápida e exige o uso correto de colírios após a cirurgia.


 

 

 


Direção e Editoria
IRENE SERRA
irene@riototal.com.br