Ano 22 - Semana 1.109

 

 

 
   
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16 de janeiro, 2019

Olho seco

 
Tecnologia de luz pulsada elimina o olho seco evaporativo que aumenta no verão



Leôncio Queiroz Neto


O calor intenso do verão facilita a desidratação de todo o organismo e afeta até nossos olhos. Isso explica por que nesta época do ano uma das mais frequentes causas de consultas oftalmológicas é a síndrome do olho seco. A disfunção atinge 12% da população. Não é pouco. São cerca de 25 milhões de brasileiros na proporção de três mulheres para cada homem. Na mulher a oscilação ou queda dos estrogênios aumenta a predisposição ao olho seco porque estes hormônios têm uma correlação com a produção do filme lacrimal que é formado por três camadas: aquosa, lipídica e proteica. Qualquer alteração em uma dessas camadas provoca a síndrome do olho seco. Por isso, depois da menopausa a população feminina forma o principal grupo de risco para desenvolver a doença. Nem toda mulher desenvolve porque o distúrbio é multifatorial.

Causas

O filme lacrimal tem a função de proteger e alimentar a superfície dos nossos olhos. Hoje todas as faixas etárias estão expostas ao ressecamento da lágrima. A mais frequente causa ambiental do olho seco é o uso prolongado do computador, tablet ou celular. Dois estudos mostram que a fadiga visual e o ressecamento da lágrima atingem 75% das pessoas com até 40 anos de idade que permanecem por mais de duas horas olhando para uma tela eletrônica e 90% dos que têm idade superior Outra variável ambiental importante, observa, é o uso de lente de contato, principalmente do tipo gelatinosa que absorva mais lágrima que as rígidas.

No verão, tomar pouca água, permanecer muito tempo em ambientes com ar condicionado, tomar sol sem proteger os olhos e praticar atividades físicas em ambientes poluídos também facilitam a maior evaporação da lágrima.

 Os sintomas do olho seco são: vermelhidão, ardência, visão embaçada, coceira e maior sensibilidade à luz.

Se a síndrome não for tratada logo no início, a falta de lubrificação da superfície ocular pode causar na córnea cicatrizes, ceratite (inflamação) e agravamento do ceratocone, além de facilitar o aparecimento de conjuntivite e alergia.

Novo tratamento

A boa notícia é que que a mais nova terapia para tratar o olho seco é uma tecnologia de luz pulsada que estimula a glândula de Meibômio a produzir a camada lipídica do lágrima. Relatório da ARVO (Association for Research in Vision and Ophthalmology) revela que a maior causa do olho seco no mundo todo é justamente uma disfunção nesta glândula que diminui a produção da camada gordurosa do filme lacrimal. É esta parte da lágrima que regula sua evaporação. Isso explica porque quanto mais avançada é a idade, maior o desconforto visual nas telas eletrônicas. A nova tecnologia já é utilizada em 40 países e alivia o olho seco logo após a primeira sessão.

As principais vantagens da luz pulsada são: combater a causa da disfunção, melhorar a produtividade, diminuir o custo do tratamento do tratamento a longo prazo e a irritação do olho causado pelo uso compulsivo de colírios lubrificantes que contêm conservantes.

Prevenção

- No computador, tablet e celular, descanse os olhos 5 minutos/hora olhando para um ponto distante e pisque voluntariamente.
- Aumente o consumo de água no período menstrual e na pós-menopausa. Isso porque o estrogênio e a progesterona influenciam a hidratação do corpo.
- Mantenha o diabetes sob controle, pois a alta da glicose na corrente sanguínea faz com que o portador de diabetes urine mais. Por isso, se você tem diabetes, acompanhe os níveis de glicemia no sangue com seu médico. Além de evitar o olho seco e a desidratação, previne o aparecimento da retinopatia diabética que pode cegar.
- Fique alerta aos efeitos colaterais de medicamentos: Se você faz tratamento com diurético, usa com frequência antialérgicos que ressecam os olhos, toma pílula anticoncepcional ou faz TRH (Terapia de Reposição Hormonal), a recomendação médica é reforçar o consumo de água.
- Controle o estresse para evitar o esgotamento das glândulas suprarrenais que respondem pela produção do hormônio aldosterona. Suprarrenais esgotadas diminuem a produção deste hormônio cuja função é regular os níveis de líquido no corpo.
- Evite bebidas alcoólicas e outros alimentos com efeito diurético como a salsa, agrião, sementes de aipo e dente de leão.
- Consuma 5 porções de frutas e verduras ao dia. Se o consumo for meno,r beba mais água.
- Inclua fontes de ômega 3 na dieta: sardinha, salmão, bacalhau e semente de linhaça.

 

Leôncio Queiroz Neto é oftalmologista, perito em medicina do trânsito e
membro da ABRAMET (Associação Brasileira de Medicina do Tráfego)

 

 

 


Direção e Editoria
IRENE SERRA
irene@riototal.com.br