Ano 22 - Semana 1.109

 

 

 
   
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16 de janeiro, 2019

Volta às aulas

  Miopia é a grande vilã

Horas brincando com telas eletrônicas aumentam o risco de miopia.



Leôncio Queiroz Neto

Na volta às aulas o exame de vista deveria ser obrigatório. Isso porque o uso abusivo do videogame, celular ou computador durante as férias pode levar à miopia acomodativa, dificuldade temporária de enxergar de longe. Esta é a principal conclusão de um estudo que fiz com 360 crianças. Para se ter ideia, dos participantes 21% apresentaram miopia contra 12% apontados pelo CBO (Conselho Brasileiro de Oftalmologia). A miopia acomodativa é provocada pelo excesso de esforço visual para perto. O stress diminui a flexibilidade dos músculos ciliares que permitem ao cristalino, lente interna do olho, mudar automaticamente o foco visual para perto, meia distância e longe. Para que a miopia não se torne um mal permanente, é recomendável ensinar à criança a olhar em pequenos intervalos de tempo para um ponto distante ou descansar os olhos de 15 a 30 minutos a cada hora de uso dos equipamentos. A dificuldade de manter este controle explica porque a miopia é o vício de refração que mais cresce no mundo.


Maioria nunca foi ao oftalmologista

Nem sempre a criança sabe avaliar a piora da visão por não ter uma referência, além da alteração visual frequentemente ser lenta e progressiva. Isso explica porque na triagem de 35 mil crianças das escolas públicas de Campinas, 8 em cada 10 nunca tinham consultado um oftalmologista. Crianças que não enxergam bem têm dificuldade no aprendizado, na socialização e são mais agitadas. A estimativa do CBO é de que 20% precisam usar óculos de grau. Além da miopia, crianças podem ter hipermetropia (dificuldade de enxergar próximo) ou astigmatismo (visão desfocada para perto e longe).

Para checar a existência de doenças congênitas que podem cegar é realizado nas maternidades o teste do olhinho, logo após o nascimento. A primeira consulta deve ser feita aos 3 anos quando os pais não usam óculos e aos 2 anos quando usam. Isso porque nossos olhos se desenvolvem até a idade de 8 anos e qualquer bloqueio visual neste período faz o cérebro anular o olho de menor visão para usar o melhor. O resultado é o “olho preguiçoso” ou ambliopia, maior causa de cegueira monocular entre crianças. A única forma de eliminar este problema é ocluir o olho de melhor visão com um tampão para estimular o desenvolvimento do olho mais fraco. O tratamento só tem efeito se for realizado antes dos 8 anos, quando se completa o desenvolvimento do sistema ocular.

Sinais de problemas de visão em crianças:

Até 2 anos:
• Não reage a estímulos luminosos como, por exemplo, a luz do quarto que se acende.
• Lacrimeja excessivamente de um ou ambos os olhos
• Fica muito tempo com os olhos fechados.
• Não demonstra interesse pelo ambiente à sua volta.
• Não ergue a cabeça para tentar ver objetos (brinquedos, por exemplo).
• Apresenta um ou ambos os olhos desviados para o nariz ou para fora.
• Reflexo luminoso na pupila como se fossem “olhos de gato”.
• Pupila muito grande ou de cor acinzentada ou opaca.

Dos três aos cinco anos:
• Apresenta um ou ambos os olhos desviados para o nariz ou para fora.
• Cai com frequência.
• Se aproxima muito da TV para assistir
• Inclina a cabeça para um dos lados ou para um ombro
• Vira um dos olhos para fora quando está distraída, pensativa ou em locais muito abertos
• Fecha um dos olhos em locais ensolarados.
• Coça muito os olhos, especialmente quando manipula o celular ou assiste TV
• Queixa-se de visão dupla ou embaralhada

No início da alfabetização:
• Faz careta ou franze a testa para enxergar.
• Queixa-se de dor ou cansaço nos olhos e dor de cabeça.
• Os olhos ficam vermelhos quando esforça a visão, mesmo sem coçá-los.
• Refere dificuldade em ver o que está escrito na lousa.
• Chega o rosto muito próximo ao caderno ou livro.
• Apresenta baixo rendimento escolar.
• Desinteresse na sala de aula.
• Não participa de atividades esportivas.
• Tem dificuldade em distinguir ou combinar cores.

 

Leôncio Queiroz Neto é oftalmologista do Instituto Penido Burnier

 

 

 


Direção e Editoria
IRENE SERRA
irene@riototal.com.br