Ano 23 - Semana 1.157 

 

 
   
ARQUIVO

 

 



CREMERJ
Praia de Botafogo, 228 Botafogo - CEP: 22359900 Telefone: (21)
2559-0018, 2559-3899
E-mail:
www.cremerj.com.br/
 


CRO-RJ
R. Araújo Porto Alegre 70, 4º e 5 andar
Castelo - CEP: 20030-015
Tel: (21) 2533-7173
www.cro-rj.org.br
 

 

 

 

Se você é da área médica e quer publicar algum artigo, venha fazer parte da nossa equipe.


class=



16 de janeiro, 2020

Osteocondrose


A osteocondrose é um grupo de distúrbios que afetam o crescimento ósseo em crianças e adolescentes. Ela deve, mais apropriadamente, ser considerada uma síndrome, e não uma doença. A osteocondrose é uma perturbação autolimitada do crescimento ósseo normal, envolvendo principalmente os centros de ossificação na epífise óssea (a parte de um osso longo em sua extremidade que se desenvolve por um centro de ossificação diferente do corpo do osso). Por definição, osteocondrose é uma espécie de necrose isquêmica asséptica.

Várias doenças que se enquadram na categoria de osteocondrose afetam diferentes partes do corpo. Elas podem ser agrupadas em uma das três categorias com base no local onde ocorrem:
(1) doenças articulares;
(2) doenças físicas, principalmente cifose juvenil (doença de Scheuermann), que afeta a coluna vertebral
(3) doença não articular, principalmente a doença de Osgood-Schlatter, que afeta o joelho.

A osteocondrite dissecante é outra forma de osteocondrose, que ocorre quando pequenos pedaços de cartilagem e osso são desalojados de seu local normal, devido à falta de fluxo sanguíneo, e flutuam dentro da articulação. Ela pode ocorrer em qualquer articulação do corpo, mas é mais comum no joelho.

Causas da osteocondrose

A osteocondrose não tem uma causa única e conhecida. Vários fatores têm sido propostos como possíveis causas de osteocondroses, os mais comuns dos quais são:

Estresse no osso (trauma repetitivo)
Suprimento sanguíneo reduzido para a área afetada
Trauma atingindo o osso
Atividade atlética e/ou lesões esportivas
Predisposição genética
Predisposição trombótica
Embolia
Deficiência de cobre
Infecções
Fatores mecânicos de diversas naturezas

Embora certas doenças desse grupo possam afetar adultos mais velhos, é mais provável que afetem crianças e adolescentes cujos ossos ainda estão crescendo, em processo de osteogênese, e é mais comum em meninos que em meninas.

Substrato fisiológico da osteocondrose

Os eventos iniciais na patogênese da osteocondrose permanecem incertos, mas as evidências clínicas e radiológicas apontam para necrose isquêmica do centro de ossificação, localizado na epífise óssea. Esse processo é, pois, essencialmente de degeneração do núcleo ósseo epifisário e é quase certamente devido à interferência no suprimento sanguíneo ou falha do centro ósseo em aumentar a proliferação das células cartilaginosas na epífise óssea. Alterações secundárias podem se desenvolver de acordo com as características da região afetada.

O processo da doença pode envolver uma única epífise ou várias, em articulações diferentes. Os processos subjacentes parecem ser essencialmente os mesmos para doenças isoladas ou em múltiplos locais.

Principais características clínicas da osteocondrose

Em termos gerais, as osteocondroses são um grupo heterogêneo de lesões sem relações umas com as outras, levando a manifestações clínicas diversas que, no entanto, compartilham as seguintes características comuns: predileção por afetar o esqueleto imaturo, envolvimento da epífise óssea, quadro radiográfico dominado por fragmentação óssea ou cartilaginosa.

Alguns casos de osteocondrose podem ocorrer e se curar sem que a pessoa saiba que os teve. Quando há manifestações clínicas, isoladas ou combinadas, elas incluem: dor localizada, limitação dos movimentos das articulações adjacentes, inchaço, perturbação da marcha, derrame reativo em uma articulação adjacente, distúrbios do crescimento e deformidades secundárias. Manifestações sistêmicas de inflamação, como febre, mal-estar, perda de peso, vermelhidão local e aumento da temperatura devem alertar os médicos para procurar outras causas além da osteocondrose.

Diagnóstico da osteocondrose

O primeiro passo rumo ao diagnóstico é obter um histórico médico detalhado do paciente. Em seguida deve-se realizar um exame físico com a ajuda dos métodos de imagens. Isso inclui radiografias, ressonância magnética ou tomografia computadorizada. Dependendo dos achados, devem ser realizados exames neurológicos do canal medular. A ressonância magnética pode avaliar muito bem os discos intervertebrais, canal medular, nervos, vértebras, musculatura e ligamentos.

O diagnóstico diferencial da osteocondrose inclui várias outras afecções ósseas e/ou articulares.

Tratamento da osteocondrose

Na maioria dos casos, os médicos sugerem manter a área do corpo onde há dor em relativo repouso. Para alguns tipos de osteocondrose, exercícios e alongamentos podem ajudar a fortalecer os músculos e tendões ao redor da articulação afetada. Em casos raros de osteocondrite dissecante, a cirurgia pode ser necessária para remover os fragmentos ósseos liberados dentro das articulações.

Evolução em geral a osteocondrose

Como a osteocondrose é um distúrbio autolimitado, o resultado geralmente é bom. Muitas vezes, a síndrome passa desapercebida. Os danos duradouros são muito poucos, se o tratamento for bem feito. No entanto, se a cura for parcial ou incompleta o prognóstico é ruim e a doença torna-se uma fonte de dor e incapacidade crônica. Nesses casos, os pacientes podem precisar de substituição da articulação, mais tarde na vida.

Em resumo, a perspectiva varia dependendo do tipo de osteocondrose que a pessoa possui e do tratamento empreendido.o

 

 

 


Direção e Editoria
IRENE SERRA
irene@riototal.com.br