Ano 12 - Semana 595

 


 

    22 de agosto, 2008
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Ditos Curiosos

 

Alá seja louvado
O mesmo que dizer: Deus seja louvado. Alá é a denominação árabe de Deus. Para os maometanos, não há outro deus. No seu grito de guerra, eles o proclamam, gritando Alá, il Alá, corruptela de Lá ilá ila Alá (Não há Deus senão Alá).

Alastor
Um dos demônios da mitologia grega, espírito vingativo por excelência, que não perdoa e está sempre ativo, perseguindo os que cometeram crimes ou transgrediram as leis morais. Figura, com tais características, nas peças trágicas de Ésquilo. É, na verdade, uma das várias metamorfoses de Zeus ou o Zeus vingador. O poeta inglês Shelley apresentou-o, no entanto, sob um aspecto diverso, ao escrever, em 1816, o poema "Alastor or the Spirit of Solitude" (Alastor, ou o Espírito da Solidão).

Alceste
Ser um Alceste é ser pessoa de temperamento agressivo, espírito severo e rigoroso, crítico implacável. É o nome do personagem central de uma das obras-primas de Molière, "O Misantropo"; ele mostra do quanto é capaz, ao criticar de forma devastadora, no primeiro ato, o soneto que é lido pelo vaidoso e frívolo Oronte. Quando o poeta Teixeira de Melo, que já havia publicado no Rio as "Sombras e Sonhos", regressou a Campos, sua cidade natal, Machado de Assis, escreveu-lhe pelo "Diário do Rio Janeiro", a 22 de novembro de 1864: "É que, se podes tomar uma resolução de Alceste, é só com a condição de não deixares no caminho a inspiração, como se fora bagagem inútil." Achava Machado de Assis que o poeta agia como um misantropo.

Alea jacta est
Palavras latinas que significam: O dado está lançado ou A sorte está lançada. Foram atribuídas por Suetônio (em Caesar, 32) a Júlio César quando, no ano 49 antes de Cristo, resolveu atravessar o Rubicão, enfrentando Pompeu e o Senado Romano (Ver, nesta mesma série: Passar o Rubicão.)

Além de queda, coice
Diz-se quando há desastres, prejuízos ou outros fatos desagradáveis, perseguindo um indivíduo. É realmente como se um cavaleiro, atirado fora da sela pelo animal, ainda recebesse deste um enorme coice ao tombar ao solo.

A letra mata, o espírito vivifica
Esta máxima adverte que as leis não devem ser interpretadas ao pé da letra, no seu sentido textual, mas sim no seu espírito, na intenção que as ditou, nos propósitos do legislador. Assim também os escritores devem ser interpretados, não por uma frase isolada, mas pelo conjunto de suas idéias e conceitos. A frase é de origem bíblica. Está numa das epístolas de São Paulo, com esta forma latina: Littera enim occidit, spiritus autem vivificat.
 



Fonte: "Dicionário brasileiro de provérbios, locuções e ditos curiosos, bem como
de curiosidades verbais, frases feitas, ditos históricos e citações literárias,
de curso corrente na língua falada e escrita,
De Raimundo Magalhães Júnior,
membro da Academia Brasileira de Letras,
Editora Documentário do Rio de Janeiro, 1974, página 19.
Enviado por Ivan Tabuada
ivnt@terra.com.br

 

 



Editoria: Irene Serra
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