Ano 22 - Semana 1.109



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16 de janeiro, 2019


um homem que VIAJou nO TEMPo?



A misteriosa história de Rudolph Fentz começa no início de junho de 1950. O relógio marcava aproximadamente 23h15, quando um homem, andando de forma estranha, vestido em roupas muito antiquadas para a época, foi visto por populares em plena Times Square, na cidade de Nova Iorque – EUA.

Ele usava roupas antigas e parecia atordoado.

O homem vagou a esmo, não respeitando as faixas nem os sinais de trânsito. Seu jeito de andar pelo meio da rua movimentadíssima (era a hora de saída de muitos espetáculos e cinemas) de Nova York rapidamente atraiu a atenção das pessoas para ele.

O sujeito parecia muito assustado com a movimentação intensa dos automóveis que passavam tirando fino dele. O brilho intenso dos faróis dos carros o cegavam e as pessoas que testemunharam a cena relataram que ele parecia estar em pânico.

Atordoado e desnorteado com as luzes, a intensa movimentação, os carros que passavam se cruzando pela Times Square, o homem subitamente acabou atropelado por um dos carros, vindo a falecer rapidamente em meio a uma poça de sangue no asfalto.

Algum tempo depois, na ocasião em que a Polícia examinou seu corpo nas dependências do Instituto Médico Legal de Nova York, encontrou junto a ele alguns itens curiosos:

• Uma moeda antiga. Posteriormente, um numismata informou que se tratava de uma moeda do Século XIX, já fora de circulação.
• Uma carta com carimbo postal datada de Junho de 1876
• Algumas antigas cédulas de dinheiro datadas do mesmo ano, totalizando U$ 70,00
• Havia também um vale para compra de cerveja no valor de 5 centavos, com o nome de um bar, o qual era desconhecido, mesmo para os moradores mais antigos da área;
• Um projeto de lei para o atendimento de um cavalo e da lavagem de uma carruagem, com endereço de um estábulo situado na Avenida Lexington. A tal avenida não estava listada em qualquer livro de endereços da época;
• Cartões de visita com o nome de Rudolph Fentz e um endereço na Quinta Avenida;
• Uma carta para este mesmo endereço, remetida da Filadélfia, com data de Junho de 1876.

O curioso é que nenhum desses objetos mostrava quaisquer sinais de envelhecimento. Inicialmente, as suspeitas eram de que o homem estava vestido com a roupa de alguma peça de época, mas os ítens pareciam tão integrados ao conjunto, que os homens da polícia ficaram sem entender. Especularam que talvez fosse um colecionador de antiguidades ou curador de museu. Mas isso não explicava as roupas usadas por ele, onde até a roupa de baixo era antiga.

Ao verificarem o nome do cartão de visitas (que indicava Rudolph Fentz), não encontraram nos arquivos oficiais nenhum registro com aquele nome, nem quaisquer informações que citassem o nome de Rudolph Fentz. A polícia colheu as digitais do corpo, que não foram localizadas na base de dados da corporação.

O homem parecia ter surgido do nada. Nenhuma informação sobre aquele misterioso homem foi encontrada.

Como as autoridades não conseguiam obter uma identificação e nem tão pouco foi possível localizar algum parente do falecido, inciaram outro tipo de investigação, partindo do endereço da carta, a única pista factível presente no corpo. Após incursões diversas, e entrevistas com antigos moradores de Nova York, as autoridades chegaram até uma mulher, que supostamente seria a viúva do Rudolph Fentz.

Os policiais rapidamente se dirigiram para a residência da Senhora Fentz para informar a morte do marido dela.

Mas a viúva quando interrogada sobre o misterioso homem que fora atropelado, disse que não poderia ser ela, já que ela era viúva de outro Rudolph Fentz. Um homem chamado Rudolph Fentz Júnior.

Ela declarou que o pai do seu marido, um homem chamado Rudolph Fentz, desaparecera sem deixar qualquer traço exatamente no ano de 1876! Atônitos os detetives contemplaram com surpresa que poderiam estar diante do pai desaparecido de Rudolph Fentz Júnior.

Vasculhando ainda mais profundamente o caso, comprovou-se que o endereço encontrado em no cartão comercial junto ao corpo do misterioso homem atropelado era o mesmo onde residia o desaparecido Rudolph Fentz no longínquo ano de 1876!

O homem que desapareceu em 1876 surgiu misteriosamente 74 anos depois, na Time Square, no ano de 1950.

O caso deixou uma série de perguntas no ar e vem intrigando cientistas, físicos e filósofos. O que teria ocorrido com Rudolph Fentz? Teria ele entrado em um Portal Interdimensional, o que o fez ser transportado no tempo e no espaço até Time Square no ano de 1950? Qual outra explicação fantástica haveria para esse bizarro desaparecimento e surpreendentemente trágico reencontro?

O caso é verdadeiro ou não é? É apenas uma extraordinária peça de… ficção.

Sim, meu amigo. Eu gostaria de dizer pra você que Rudolph Fentz é o predecessor de Marty McFly, mas o fato é que tudo não passa de uma lenda urbana. A história sensacional acima se trata de um personagem de um livro. Segundo o mitólogo Chris Aubek, o homem que viajou no tempo surgiu numa antologia de ficção científica de 1952, escrita por Robert Heinlein, com o nome de “Tomorrow, The Stars”. Mas o real autor do conto é o renomado Jack Finney (1911–1995). O conto do homem que surge após uma suposta viagem no tempo chamava-se “I’m Scared“.

Chris Aubek acredita que alguém teria retirado a história de seu contexto fictício original e gerado com ela um artigo de jornal. Provavelmente o sujeito que fez isso, precisava ocupar o espaço, e não poderia imaginar que centenas de pessoas ficariam tão impressionadas com a história, que passou de boca em boca até desaguar em outros periódicos, que republicaram a mesma como sendo real. Em 1972, esta história apareceu como um fato real, no livro de Viktor Farkas. Posteriormente a história surgiu na internet como uma “prova” de que a viagem no tempo, mesmo que na forma de um efeito colateral produzido em decorrência de algum mecanismo ainda não compreendido pela Ciência existe.

No ano 2000, a história ganhou força, quando a revista espanhola de ufologia e misticismo “Más Allá” trouxe o caso de Fentz à baila. A história do viajante do tempo, se espalhou lindamente pela internet, tornando-se uma das mais legais lendas urbanas sobre viagem no tempo existentes.

Mas não foi a única. Inúmeras outras curiosas histórias de “viajantes do tempo” surgiram, formando uma espécie de “cluster”, onde uma serve de “prova” para suportar a outra. E assim por diante. As pessoas que não tem o hábito de investigar ou refletir sobre o que recebem, repassam, e a coisa se propaga como ondas numa praia,

 

Enviado por Alberto Cohen





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