01/07/2021
Ano 24
Número 1.228



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CAROL CAMPOS




 

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Carol Campos

Cadê, São João, cadê?

Carol Campos - CooJornal, Revista Rio Total



Sou junina de nascença, apesar de ter nascido em agosto. Sou quentão, churros, canjica, curau, churrasquinho com farinha. Mais recentemente, porque na minha época isso nem existia nas festas, sou espeto de morango coberto de chocolate.

Não gosto de maçã do amor, mas costumo comprar pelo amor que vem junto. E também porque gosto da sensação de quebrar a casca com o dente e deixar que ela manche de vermelho meus lábios e céu da boca.

Todo ano, eu pedia para ser a noiva da quadrilha. No ano em que, finalmente consegui, achei tão sem graça ser a única de grinalda que até hoje nada de altar. Gosto mesmo é do girassol amarelão descombinando com o xadrez azul e branco da saia, descombinando com o vermelho do batom, descombinando com o chapéu de palha que já vem com trança nunca da cor dos meus cabelos.

Sentir que os cabelos acompanham as bandeirinhas com o vento de fim de tarde. Passar blush como se não houvesse amanhã e depois ainda cobrir o blush com pintinhas em forma de coração. Era assim que minha mãe fazia.

Eu juro que enxerguei duas rodas de quadrilha, a fila da barraca do beijo e uma mais embaixo que era pra jogar argola e ganhar prenda. Mas Pedro me disse que era só um grupo de Pokémon, sem festa, sem nada.

Segundo ano sem festa, sem nada. As comidas, a gente consegue dar um jeito. Bandeirolas, vamos pendurar, claro. Mas o que eu faço com a tristeza que sinto só de pensar que, mais uma vez, não vou voltar no tempo e chegar na festa que mais me comovia na infância?

O que eu faço com essa saudade que eu sinto?



Carol Campos
SP




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