16/07/2021
Ano 24
Número 1.230




ARQUIVO SIMÕES

Francisco Simões
em Expressão Poética

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Francisco Simões



AMIGOS



Francisco Simões, colunista - CooJornal


Outro dia eu vi o excelente compositor e poeta Osvaldo Montenegro. Nós estávamos ainda em Ipanema onde eu tive um apartamento por muitos anos, mas acabei vendendo-o.

A música dele que fala de amigos, aqueles que a gente vai somando durante nossa vida, é linda demais. A certa altura ele pergunta na letra da referida música: "Quantos amigos você teve ontem e tem hoje...” pois é gente boa e eu fiquei a pensar no assunto.

Outro dia um grande amigo que foi meu Chefe no BB e também antes de eu me aposentar foi meu Presidente na PREVI, do BB, falando ao telefone me comunicou que mais um de nossos amigos havia partido desta vida.

Fazia bastante tempo que eu não tinha notícias do nosso bom Lula, o Luiz Carlos, com quem trabalhamos no Treinamento de Pessoal e que depois foi Chefe de Gabinete daquele grande amigo e professor quando eu era mais um a formar o referido Gabinete da PREVI.

Fiquei chocado, pois havia bastante tempo que eu não me comunicara mais com o nosso Lula nem ele comigo. Aliás, há vários amigos da antiga com os quais eu não tenho me comunicado há bastante tempo, podem crer. Isto deve acontecer com quem tem muitos e bons amigos.

Ao me dar a triste notícia o amigo e meu grande Chefe e ex Presidente lembrou de mais um dos nossos amigos que também já partira desta vida e eu nem sabia. Vejam que este morava relativamente perto de mim também lá em Ipanema. Mas, de repente ele sumiu, sumiu mesmo e agora eu soube que ele partiu desta vida também.

A letra da música do Osvaldo Montenegro é muito verdadeira e diz tudo sobre os amigos que tivemos e que não temos mais. Após nos aposentarmos geralmente a gente acaba por se afastar desses bons amigos e pouco os vemos ou falamos. Uma pena, mas é verdade, amigos e amigas.

Como vamos tomando outro rumo nós acabamos por fazer novas embora poucas amizades e os amigos antigos que tanto curtimos, de quem tanto gostamos, vão ficando em nosso passado. Não os esquecemos, isto não, porém muitos deles sequer nós vemos mais ou com eles falamos. Poucos ainda se relacionam conosco.

Se vocês que eventualmente me leem ainda escrevem ou se contatam com amigos da antiga, digamos assim, eu os parabenizo já que para mim, tendo mudado de cidade e estando agora no terceiro casamento, minha vida mudou muito, muito mesmo e até sem querer me afastei da grande maioria dos antigos amigos.

Hoje eu posso dizer que no relacionamento eventual poucos amigos da velha guarda ainda mantêm contato comigo ou eu com eles. Aqui voltamos à música do grande Osvaldo Montenegro que por sinal diz tudo sobre amigos. Infelizmente é verdade gente boa, infelizmente é verdade.

Hoje estou com 84 anos caminhando para os 85, se Deus quiser, em agosto. Fico feliz de perceber que um grande amigo de infância não se esqueceu de mim e mantém relacionamento aqui pela internet. Refiro-me ao excelente poeta Alberto Cohen.

Paraense como eu, ele frequentou a casa em que eu morava ainda em Belém do Pará, isto quando éramos muito jovens. Depois sumimos um da vida do outro, mas nos reencontramos aqui pela internet e justo eu escrevendo crônicas e ele a divulgar a maravilha de poesia que ele produz constantemente.

Cohen tem alguns livros já editados com a beleza de seus versos e eu o aplaudo sempre, pois ele merece e muito, podem crer. Coisa rara este relacionamento se manter a partir de quando nos reencontramos aqui pela internet e na revista Rio Total da amiga Irene Serra. Parabéns, amigo Cohen.

Por que a vida tem que nos separar depois de uma amizade sólida e de tantos anos, me desculpem, mas eu não sei também. O fato é que sem amigos julgo que ninguém passa nesta vida, acho muito difícil. Então vamos levando esta vida enquanto nos for permitido e reencontrando antigos amigos sempre que possível.
Posso dizer que amigos que fizemos durante nossa longa vida sempre acabam por nos ajudar a viver.

Consideremos a música do Osvaldo Montenegro uma espécie de hino a nossa vida e que jamais nos percamos de velhos amigos, pelo menos da maioria deles. Amigos para sempre, gente boa. Saúde, paz e muita amizade.


Comentários sobre o texto podem ser enviados diretamente ao autor, no email fm.simoes@terra.com.br






Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
Conheça um pouco mais de Francisco Simões
http://www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-021.htm
http://www.riototal.com.br/expressao-poetica/francisco_simoes.htm
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